As cidades históricas de Ouro Preto e Mariana recebem a 21ª edição do Fórum das Letras, iniciativa promovida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) entre os dias 13 e 22. Tendo como eixo central o tema “Do mundo e de Minas Gerais”, o tradicional circuito cultural presta tributo a Guimarães Rosa no marco de sete décadas do lançamento de duas obras fundamentais da literatura nacional: Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile.
Encontros literários e grandes personalidades da cultura
O festival articula a presença de escritores, pesquisadores, tradutores e ilustradores dedicados a investigar os desdobramentos da obra rosiana, perpassando tópicos como regionalidade, oralidade e alteridade. A conferência de abertura fica por conta da atriz e poeta Elisa Lucinda, que encena a apresentação “Viver de poesia”, sob direção de Geovana Pires.
A grade de convidados inclui vozes expressivas do pensamento contemporâneo e do jornalismo brasileiro, reunindo nomes como a escritora Amara Moira, os jornalistas Leonardo Sakamoto, Betina Anton e Daniela Arbex, os ensaístas Carlos Ávila e Maria Esther Maciel, além das intervenções musicais conduzidas por Spírito Santo, Celso Adolfo e Makely Ka.
O universo gráfico e a oralidade tradicional também integram os debates. A programação acolhe os narradores Miguilins, vindos de Cordisburgo, ao lado de artistas visuais como Eloar Guazzelli, responsável pela adaptação em quadrinhos de Grande Sertão: Veredas, e João Marcos Mendonça, autor do premiado projeto infantojuvenil Escola de Passarinhos e do recente lançamento Doce amargo, que aborda o colapso socioambiental de Mariana.
Reflexão sobre memória, perdas e o rompimento em Brumadinho
No sábado, 17, às 11h, o público poderá acompanhar a roda de conversa “O que permanece”. A atividade conta com a participação de Helena Taliberti, líder do Instituto Camila e Luiz Taliberti e autora do livro biográfico Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes, no qual relata o impacto da tragédia provocada pelo rompimento da barragem em Brumadinho, ocorrido em 2019.
O diálogo será mediado em conjunto com a repórter investigativa Daniela Arbex e a diretora-presidente da Fundação Memorial de Brumadinho, Fabíola Moulin, construindo um espaço coletivo de partilha em torno do luto, da justiça e da preservação da memória histórica.
Artes visuais e mostras audiovisuais na programação
A força estética do autor homenageado orienta diferentes intervenções visuais espalhadas pelos centros históricos. No Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), ocorrem sessões comentadas de produções cinematográficas inspiradas nos textos do escritor mineiro.
“Com essas narrativas, o Brasil foi convidado a fazer uma travessia em uma nova linguagem, um novo espaço, uma nova realidade. Na verdade, não se tratava exatamente de algo: era o Brasil em seus crespos, em seu interior, não apenas geográfico, mas simbólico-existencial. Guimarães Rosa mostrou a habilidade de revelar o que já estava lá…”, explica Mônica Gama.
A pesquisadora responde pela curadoria de “O Sertão-mundo de Guimarães Rosae”, montagem que reúne registros fotográficos de Maureen Bisilliat e Germano Neto. Além disso, uma articulação conjunta entre o festival, o Instituto Palma Preta e o Museu Casa dos Contos viabilizou as mostras “Travessias entre o Ser-Tão e o Ser-Gerais”, de Germano Neto, e “Os Minas: O Sertão é do Tamanho do Mundo”, elaborada a partir dos arquivos do etnomusicólogo Spírito Santo.
O espaço museológico também sedia a primeira exibição pública nacional do curta-metragem Oblus, dirigido por Lucas Godoy. Paralelamente, a Galeria Nello Nuno, situada na Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), apresenta a exposição “Terras Brutas, Cores do Sertão Gerais”, do artista plástico Marcos A. Luiz, que investiga as nuances dos pigmentos minerais extraídos da própria terra mineira.
