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Transporte coletivo na mira da Câmara de Ouro Preto: problemas na Pássaro Verde geram alerta sobre segurança dos passageiros

Reclamações antigas voltam ao plenário e vereadores prometem acionar Ministério Público e órgãos de fiscalização; usuários relatam ônibus quebrados, atrasos, falhas no atendimento e condições inadequadas de viagem

O transporte coletivo intermunicipal que atende Ouro Preto e municípios da região da Estrada Real voltou a entrar no centro das discussões na Câmara Municipal de Ouro Preto. Na reunião ordinária realizada nesta segunda-feira, vereadores e representantes da comunidade levantaram uma série de reclamações relacionadas aos serviços prestados pela empresa Pássaro Verde, responsável por diversas linhas que fazem a ligação entre Ouro Preto, Belo Horizonte e outras cidades da região.

O que chamou a atenção durante o debate é que, segundo os relatos apresentados em plenário, não se trata de problemas pontuais. As reclamações seriam recorrentes e estariam sendo registradas há anos por passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo.

A discussão ganhou um tom ainda mais preocupante diante dos relatos relacionados às condições de segurança e conservação dos veículos.

Ônibus quebrados e passageiros expostos nas rodovias

Entre as principais queixas apresentadas estão os constantes problemas mecânicos e as panes durante as viagens. Passageiros relatam situações em que ônibus ficam parados nas rodovias, aguardando atendimento, manutenção ou substituição.

A demora para solucionar as panes também foi questionada, principalmente em situações nas quais os passageiros permanecem às margens das rodovias aguardando uma solução.

Para os vereadores, o problema deixa de ser apenas uma questão de conforto ou qualidade do serviço quando envolve segurança e integridade física dos passageiros.

Também foram mencionados relatos de veículos com problemas no sistema de climatização, incluindo casos de ar-condicionado sem funcionamento em ônibus com janelas lacradas, além de reclamações relacionadas à conservação e limpeza da frota.

Horários e itinerários também são alvo de reclamações

Outro ponto levantado durante a reunião foi o suposto descumprimento de horários e itinerários oficialmente estabelecidos.

Usuários relatam atrasos, alterações de horários e mudanças que, em alguns casos, dificultariam o planejamento de quem depende do transporte para trabalhar, estudar, realizar consultas médicas ou cumprir compromissos em outras cidades.

Também foram citadas dificuldades para cancelamento de passagens e reembolso de valores, além de problemas no atendimento ao consumidor e demora na solução de reclamações apresentadas por meio dos canais digitais da empresa.

Fiscalização e documentação entram no debate

Além das condições da frota e do atendimento aos passageiros, a discussão na Câmara também levantou questionamentos relacionados à fiscalização dos veículos e à documentação obrigatória.

Segundo os relatos apresentados, haveria situações envolvendo veículos que não estariam em condições adequadas para circulação e dificuldades para que os órgãos responsáveis realizem a fiscalização quando solicitada.

Os vereadores defenderam que as denúncias sejam encaminhadas aos órgãos competentes para que cada situação seja devidamente apurada e, caso sejam constatadas irregularidades, sejam adotadas as medidas previstas na legislação.

Problemas já chegaram ao Procon e ao Ministério Público

Outro aspecto que chamou a atenção no debate foi a informação de que problemas envolvendo a prestação do serviço já teriam sido objeto de atuação de órgãos como o Procon e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Segundo os relatos apresentados na Câmara, já teriam ocorrido multas administrativas e a celebração de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) envolvendo a empresa.

A questão levantada durante a reunião é justamente se as medidas adotadas estão sendo efetivamente cumpridas.

A existência de reclamações semelhantes ao longo dos anos alimenta a cobrança por uma fiscalização mais rigorosa e por respostas concretas aos usuários.

Professor faz alerta durante reunião

O professor Rogério Fernandes esteve presente no plenário e fez um forte desabafo sobre a situação.

Segundo ele, o problema é antigo e vem sendo discutido repetidamente sem que uma solução definitiva seja apresentada.

Em tom de alerta, o professor afirmou que a situação chegou a um ponto em que passageiros, motoristas e demais trabalhadores estariam diariamente expostos a riscos.

Rogério também chamou atenção para os próprios funcionários da empresa, que, segundo seu relato, trabalhariam sob pressão diante das condições dos veículos e das dificuldades enfrentadas na operação.

A manifestação provocou repercussão entre os presentes e reforçou a necessidade de que a discussão avance para além das reclamações e resulte em providências efetivas.

Câmara promete buscar providências

Diante dos relatos apresentados, os vereadores manifestaram disposição para levar o caso aos órgãos responsáveis pela fiscalização do transporte intermunicipal.

A proposta é buscar o Ministério Público de Minas Gerais, Procon, DER-MG e demais órgãos competentes, com o objetivo de reunir informações, apresentar as denúncias e cobrar uma fiscalização capaz de verificar as condições dos veículos e a regularidade da prestação do serviço.

A preocupação central é evitar que a sucessão de problemas relatados resulte em uma tragédia.

A pergunta que fica é: será necessário acontecer um acidente grave para que medidas mais efetivas sejam tomadas?

A Câmara de Ouro Preto sinaliza que pretende buscar respostas antes que isso aconteça.

Direito do passageiro é viajar com segurança

O transporte coletivo intermunicipal é um serviço essencial para milhares de moradores da região. Para quem utiliza os ônibus diariamente, a viagem não representa apenas um deslocamento: significa acesso ao trabalho, à educação, à saúde e a outros serviços.

Por isso, a discussão levantada na Câmara de Ouro Preto ultrapassa a questão de atrasos ou desconforto.

Quando há relatos de veículos quebrados, problemas mecânicos, falhas na manutenção e passageiros parados em rodovias, a discussão passa necessariamente pelo direito à segurança.

Cabe agora aos órgãos responsáveis pela fiscalização verificar as denúncias, cobrar o cumprimento das normas e garantir que o serviço oferecido à população esteja dentro dos padrões exigidos pela legislação.

A Pássaro Verde também deverá ser procurada para apresentar seu posicionamento sobre as denúncias e os questionamentos levantados durante a reunião da Câmara. O espaço para manifestação e esclarecimentos permanece aberto.

Por Redação | Sou Estrada Real

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