Brasília é palco de uma instigante intersecção entre arte, tecnologia e reflexão social com a instalação “Bordaduras”, da renomada artista plástica Regina Silveira, no Sesi Lab. A obra, que se insere no contexto do 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, provoca o público a pensar sobre a ancestralidade do bordado e os dilemas da inteligência artificial, utilizando a experiência de vida como fio condutor.
A instalação de 530 metros quadrados, com agulhas gigantes e bordados em ponto de cruz inacabados em vinil adesivo, ecoou profundamente em Kaliane Martins, agente de portaria do museu. Sua história de vida, marcada pelo bordado aprendido com a mãe e a avó, e a jornada de "tecer a própria vida" através do trabalho, tornam-se um potente testemunho da resiliência feminina, dialogando diretamente com a proposta feminista da artista.
Regina Silveira, com sua extensa carreira internacional, contextualiza que o bordado foi historicamente ligado à alfabetização feminina. Ao trazer pontos incompletos e um painel de LED com sua obra “Dígito” (anos 80), a artista convida a uma reflexão sobre processos em andamento e a evolução da tecnologia. Ela considera a obra intrinsecamente feminista, explorando a distorção de objetos cotidianos para provocar e politizar.
Além do viés social, a exposição mergulha no debate sobre a inteligência artificial. Silveira defende que a IA atua com repertórios existentes, facilitando a expansão, mas a invenção e a conexão inesperada entre dados permanecem uma prerrogativa do cérebro humano. A artista, que nunca teve uma posição negativa em relação às tecnologias, sugere que é preciso consciência para navegar nesse futuro, destacando o valor da criatividade genuína em meio ao avanço digital.
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