A expressiva votação do PL em Belo Horizonte — marcada pela vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em todas as zonas eleitorais no primeiro turno, pelos mais de 3 milhões de votos do deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL) e pela ascensão do vereador Pablo Almeida a deputado estadual — motivou a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) a desenhar uma guinada ideológica. Nos bastidores, a estratégia é estender pontes a legendas de esquerda para viabilizar uma frente ampla com foco na disputa municipal de 2028.
Isolamento do PL e nova base governista Atualmente, assessores próximos ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil) trabalham nos bastidores para estruturar uma nova base aliada no Legislativo municipal válida para o próximo mandato. Como a pré-candidatura de Pablo Almeida à prefeitura é tratada como favas contadas na administração, o planejamento estratégico prevê o isolamento dos vereadores liberais de perfil mais ideológico.
Para concretizar essa articulação, a gestão municipal pretende estreitar laços com siglas como PT, Psol, PCdoB, PV e PDT.
Impacto na Câmara Municipal e enfraquecimento da Família Aro Essa reorganização política já causa reflexos diretos na disputa pela presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal (CMBH), agendada para 12 de dezembro. No entendimento dos aliados do chefe do Executivo, o grupo político liderado pelo ex-secretário estadual Marcelo Aro (PP) — a chamada Família Aro — perdeu força após a derrota de Aro na disputa pelo Senado e a vitória do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Marcelo Aro exerceu forte influência como secretário da Casa Civil e de Governo na gestão de Romeu Zema (Novo) e manteve cacife no início da administração de Mateus Simões (PSD). Contudo, aliados do prefeito avaliam que o ex-deputado federal perderá protagonismo no novo cenário estadual sob o comando de Cleitinho.
Negociações com o Partido dos Trabalhadores Como parte da estratégia, articula-se a possibilidade de o PT ocupar uma vaga na composição da Mesa Diretora, costurando um acordo que envolva tanto o grupo do prefeito quanto a Família Aro. Para o comando da casa legislativa, a prioridade de Damião é construir um consenso em torno de um aliado leal.
Apesar da investida, a aproximação entre a prefeitura e a esquerda promete ser complexa. O líder petista na Câmara, vereador Pedro Patrus, tem protagonizado sucessivos embates com Damião desde o ano anterior.
Cautela na legenda petista Dentro do partido, as conversas são tratadas com cautela. A prioridade absoluta da sigla no momento é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A definição oficial sobre o alinhamento com a gestão municipal só deve ocorrer após o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
