Em um movimento para aliviar as pressões sobre seu caixa, a Sigma Lithium obteve uma ampliação de seis meses no prazo de vencimento de um passivo de US$ 100 milhões. Com a repactuação, a maior produtora de lítio do país ganha margem de manobra financeira em meio a um cenário desafiador para o setor.
Detalhes do acordo com credor estrangeiro
O compromisso financeiro, firmado em 2022 com a Synergy Capital — gestora sediada em Dubai que também integra o quadro de acionistas da companhia —, tinha seus ativos colocados como garantia. Originalmente previsto para quitação no fim de 2026, o montante agora terá como data limite o mês de junho de 2027. A remuneração da linha de crédito permanece inalterada, indexada a 6,95% mais a taxa SOFR.
“A extensão adia a exigência de quitação final da dívida da Companhia, prevista para dezembro de 2026; com isso, a Sigma Lithium consegue estender o prazo de 93% de sua dívida para junho de 2027, ampliando sua flexibilidade financeira e dando suporte aos seus planos de execução”, diz a empresa em comunicado.
Cenário de mercado e retomada produtiva
O endividamento vinha sendo acompanhado de perto pelo mercado, sobretudo diante da expressiva desvalorização do lítio nos últimos anos e de paralisações provocadas por entraves jurídicos e administrativos no Brasil.
Com as plantas novamente ativas desde o dia 5 de outubro, a mineradora informou ter alcançado um volume de 7.090 toneladas de “concentrado de óxido de lítio” no período recente. A terminologia chamou a atenção de participantes do mercado nacional, já que a matéria-prima usualmente informada e comercializada pela empresa é o espodumênio concentrado obtido na etapa de refino.
Recursos travados no BNDES
Além da dívida externa, a Sigma Lithium tenta desbloquear um financiamento de R$ 487 milhões aprovado pelo BNDES em 2024. A liberação do crédito depende da contratação de uma garantia bancária formal, exigência técnica do banco de fomento que a companhia ainda busca viabilizar junto ao sistema financeiro.