A eleição presidencial que terminou com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) ficou marcada por reviravoltas intensas e uma paralisação de quase duas horas na contagem dos votos.
Paralisação e o avanço da apuração
A contagem de votos foi interrompida logo após as 17h, quando apenas 0,25% das seções tinham sido totalizadas. A pausa ocorreu devido à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estendeu o horário de funcionamento das seções eleitorais até as 19h.
Embora o candidato vitorioso tenha comandado a maior parte da disputa, houve um momento específico em que Flávio Bolsonaro (PL) assumiu a liderança da corrida.
A liderança inicial e a breve dianteira rival
Lula largou na frente e permaneceu na liderança até a apuração atingir 13,6%, por volta das 19h45. Nesse instante, Flávio assumiu a ponta e permaneceu nela por cerca de 40 minutos, antes de o petista retomar a liderança definitiva até o final.
O adversário havia questionado a decisão judicial e prometido acionar a justiça por um novo pleito.
A virada inédita e o discurso do vencedor
Depois de encerrar o primeiro turno atrás na porcentagem de votos, com 47,03% contra 45,16%, o petista conseguiu reverter o cenário adverso, superando o concorrente inclusive no estado de Minas Gerais. Este episódio marca a primeira vez na história política do Brasil que o segundo colocado no primeiro turno conquista a vitória presidencial no segundo.
Logo após a proclamação oficial do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula destacou a importância da mobilização popular para alcançar a virada.
“Tenho dois meses pela frente para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, com os educadores, com os cientistas e com as mulheres”, disse, sobre o período entre o fim do atual mandato e o início do próximo.
Controvérsia sobre a extensão do horário
A ordem do STF que prorrogou o horário de votação partiu do ministro Cristiano Zanin. O magistrado relatou ter recebido, às 16h32, um alerta da coligação do PT sobre falhas no transporte público em municípios baianos como Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
A medida gerou confusão imediata nas seções eleitorais, pois diversas urnas já haviam encerrado as atividades. Para sanar as dúvidas, Zanin e o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, emitiram notas esclarecendo que a prorrogação se aplicava exclusivamente aos locais que continuavam abertos.
Diante do cenário, Flávio Bolsonaro declarou que a situação torna “impossível reconhecer o resultado” e reclamou de “quebra de isonomia”.
“Vamos usar nosso jurídico e pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal. É inexplicável isso ter acontecido”, criticou.