Finalmente as eleições 2026 acabaram, ou aparentemente acabou. Se depender do candidato derrotado com uma larga diferença de 4,4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro. O choro do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstra que a vaidade e a soberba parecem ser de família, além de comprovar a tese levantada por Renan Santos, do Partido Missão e líder do MBL. Se o resultado do primeiro turno das eleições surpreendeu, o resultado do segundo turno, nem se fala. Depois de 2026, os institutos de pesquisas de opinião pública devem ir a bancarrota. Nenhum deles acertou as intenções de voto nos dois turnos.
No primeiro turno, as pesquisas davam a Lula uma vitória até aparentemente confortável. Porém, na apuração o presidente correu o risco de perder a eleição no primeiro turno. Com um detalhe importante, durante a apuração do dia 4 de outubro, Lula não liderou as apurações uma vez sequer. Já no segundo turno, o cenário se inverteu, tanto nas pesquisas, como na apuração dos votos. Dava a entender que a virada não aconteceria, mas, ela aconteceu. Mas, como, se o país jamais havia tido uma vitória de virada no segundo turno das eleições?
É consenso para todos que as eleições deste ano foram as piores da história, em termos de discussões de propostas. Os candidatos mais se pautavam em atacar seus adversários do que trazer propostas relevantes para os seus eleitores. Foi perceptível a interferência externa em prol de um candidato, Flávio Bolsonaro. Percebeu-se uma interferência da suprema corte com decisões favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro e, claramente, prejudicando petistas.
Dentre estas interferências, estão às realizadas pelas das Big techs como a Meta, que os algoritmos do Instagram entregavam apenas conteúdos do candidato bolsonarista, grupos de Whatsapp alinhados a Lula sendo retirados do ar, e as ferramentas da Meta de Inteligência Artificial se negando a criar imagens com propaganda petista, mas, criando e sugerindo a propaganda bolsonarista.
Os grandes veículos de mídia jornalística estavam, claramente, promovendo a campanha de Flávio Bolsonaro. Com essa entrega, junto a percepção do PT de que os outros candidatos à presidência da República se inclinariam ao Flávio e dariam a ele o seu apoio. Por esta razão, Lula evitou ir aos debates presidenciais do primeiro turno, chegando a dois dos três serem cancelados (Combo SBT+CNN e o da TV Globo). E os candidatos Flávio Bolsonaro e Romeu Zema adotaram a mesma postura de não ir ao debate.
Apoiados pelo discurso antipetista das campanhas de Flávio, Zema, Caiado e Renan Santos, ficou mais fácil atacar os benefícios e auxílios que são a base da plataforma de governo do presidente Lula, ficou mais fácil elevar a rejeição do governo, por meio da desinformação. Aliada a excelente forma como a extrema-direita se utiliza das redes sociais, Lula esteve prestes a perder as eleições no primeiro turno.
Estas eleições apontaram um grande nível de insatisfação dos eleitores, tanto na votação expressiva do Flávio Bolsonaro, 56 milhões de votos contra 53,8 milhões de Lula. Outro aspecto é o número de abstenções, que superou os números na casa dos 33 milhões de pessoas, que se absteram de votar no primeiro turno. O que pode ter determinado a vitória de FB e que por pouco não levou esta eleição já no primeiro turno.
Depois da derrota do primeiro Turno, o PT acordou e percebeu que as redes sociais seriam o caminho para a vitória e, assim foi feito. Liderado por André Janones, Pedro Rousseff e a deputada eleita Ana Elisa Santos, Lula e a sua equipe mudaram a forma de se comunicar nas redes sociais, incentivando à mobilização nacional de pessoas comuns e celebridades, em prol de um objetivo, vencer as eleições.
Do outro lado da cerca, estavam os bolsonaristas, escorados nos 56 milhões de votos que o Flávio recebeu no primeiro turno. Tão concentrado na vitória do primeiro turno, Flávio não percebeu que havia cometido uma série de erros no primeiro turno, inclusive faltar aos três debates. Sem falar nos escândalos de corrupção, envolvendo, o seu nome surgindo quase que diariamente. O Flávio se perdeu tanto na vaidade que ele ainda não aprendeu a olhar para o próprio quintal.
O envolvimento dos eleitores petistas foi contagiante e quem era eleitor de direita e tinha aversão ao bolsonarismo preferiu se juntar a Lula nestas eleições. Até a antiga cúpula do PSDB envolveu-se a favor de Lula. Os discursos de Flávio começaram a não cair bem aos ouvidos do público. Inclusive a proposta de mudança da constituição brasileira com uma proposta de “redemocratizar o país” fez com que a população se mobilizasse contra o Flávio.
No segundo turno, Flávio, chegou a divulgar que não estaria presente ao debate presidencial. Adotando uma estratégia conservadora de manter-se à frente nas pesquisas. Porém, a repercussão negativa foi tão grande que levou ao candidato repensar a decisão e participar do debate na Band e, posteriormente, ao da TV Globo. Vale lembrar que a TV Globo sabotou o debate que ocorreria no último dia 15 de outubro [a 10 dias da eleição] no combo liderado pelo SBT e a CNN Brasil.
A emissora carioca tinha reagendado a sabatina dos candidatos, que estava agendada para os dias 7 e 8 de outubro, para os dias 15 e 16 por conta de conflitos na grade, por conta da programação envolvendo o programa Criança Esperança. Ficando inviável para os candidatos estarem presentes em dois locais ao mesmo tempo. Se, no primeiro turno os candidatos foram s responsáveis pela falta de debates, no segundo turno, foi a TV Globo.
Flávio, ao contestar o resultado do segundo turno, deveria se lembrar do desempenho pífio dele nos debates presidenciais. Mesmo com colunistas tentando encher a bola do candidato carioca, o que viralizou nas redes sociais foram os cortes em que o presidente Lula deixou-o sem reação, inclusive o desafio imposto pelo presidente de ambos abrirem os sigilos bancários de ambos e seus familiares. Desafio este que o Flávio levou 4 dias para aceitar, o que incomodou até os seus próprios apoiadores.
A mobilização popular nas ruas foi num capítulo a parte nestas eleições. As manifestações petistas pelas ruas do Brasil impressionou bastante, não tinha como ignorar a mobilização popular dos eleitores de Lula. Diante da enorme mobilização vermelha nas ruas do Brasil, a vitória no dia 25 de outubro passou a ser uma realidade possível.
Os escândalos envolvendo o nome de Flávio continuou como se fosse um bombardeiro. E, todos com provas, sejam gravações, fotos ou documentos. A relação com Vorcaro e os mais de 190 registros de ligações telefônicas entre os dois, a relação com o seu amigo e sócio Willer Tomáz, envolvido com desvios no INSS na casa de 6 bilhões de reais e até mesmo na desapropriação arbitrária de uma ilha que pertencia ao jogador Richarlison. Aliás, foi o próprio jogador que denunciou Flávio e Tomáz, em suas redes sociais, com apresentação de documentos e tudo.
E para fechar a tampa do caixão e jogar a pau de cal nas pretensões de Flávio Bolsonaro, a relação dele com as milícias e o envolvimento na defesa de policiais acusados de assassinato, dentre eles o caso da menina Ana Clara, de 5 anos de idade. A menina foi morta com dois tiros de fuzil da arma pertencente ao cabo Bruno Dias Delaroli, crime cometido em 2 de fevereiro de 2021, e graças à influência de Flávio Bolsonaro, o julgamento do policial foi adiado duas vezes, sendo a próxima data para maio de 2027.
O desempenho do Flávio, nos dois debates foi, simplesmente, horroroso. Ele fugia de todas as perguntas, no debate da Band, por exemplo, sua postura de tentar desestabilizar Lula ao se colocar atrás do candidato em seus momentos de resposta, fazendo gestos e caretas, foi classificada pelos jornalistas como uma postura de moleque. A repercussão foi extremamente negativa a ponto de a TV Globo estabelecer uma nova regra no debate para o debate do dia 23 de outubro que coibia esta ação.
Diante do que ocorreu nas sabatinas da emissora e no debate da Band, a população exigiu em um abaixo assinado com mais de 1 milhão de assinaturas, que houvesse checagem de fatos em tempo real, durante o debate, para combater as mentiras ditas pelos candidatos. E, Flávio mais uma vez mentiu. Ele foi pego mentindo em rede nacional várias vezes em uma mesma entrevista. Flávio mentiu por 41 vezes de acordo com a checagem de Fatos e Fakes em tempo real da TV Globo, contra apenas 1 de Lula. E quando Flávio zombou do fato de Lula ter 9 dedos, ali ele enterrou todas as suas esperanças. Já que Lula enfatizou que ele perdeu o dedo trabalhando enquanto Flávio nunca trabalhou na vida.
Flávio fracassou por completo e os seus aliados perceberam isso. Tanto que no sábado duas companhias aéreas, Gol e Azul, cancelaram os seus vôos, sem qualquer explicação, para evitar que os seus passageiros fossem para o Nordeste votar. Os prefeitos de São Paulo e salvador, aliados de Bolsonaro, diminuíram substancialmente as linhas de ônibus no domingo da eleição para evitar que os eleitores petistas votassem. Uma juíza do TRE do Amazonas, vetou as viagens de balsa de 43 aldeias indígenas no dia da eleição, para evitar que votassem.
A medida que as informações eram ventiladas, mais a população era inflamada a ir votar no candidato do PT. Lembrando que as duas campanhas pediram ao TSE que prorrogasse as eleições até às 19 horas por conta da inviabilidade nos transportes até as seções de votação, seja por sabotagem do poder municipal ou por razões climáticas nos estados do sul e sudeste.
E, depois que a vitória de Lula foi declarada perto das 21 horas, a ala bolsonarista não aceita a derrota e diz que tentará anular a eleição. Um verdadeiro choro de mau perdedor. Sabotaram o processo inteiro e depois que perdem querem causar um frisson. Talvez criar um cenário para que o presidente norte-americano possa usar o seu poder bélico para tentar um novo golpe de estado.
Alexandre Marques
Marianense
Teólogo e Estudante de Jornalismo – UFOP
