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Igreja Particular e Seminário de Mariana

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Uma acolhida verdadeira é capaz de deixar marcas indeléveis na alma. Com esse espírito de pertencimento, logo ao chegar ao Seminário São José, ultrapassamos as escadarias reluzentes com topázios. Traz à nossa lembrança a canção: “Se essa rua, se essa rua fosse minha; eu mandava, eu mandava ladrilhar; com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante… de topázio para o meu, para o meu… PARA CADA FUTURO PADRE PASSAR. ” No contexto do Ano Santo da Redenção, entramos como peregrinos da esperança pelo pórtico principal e, de imediato, somos recebidos pela emblemática escadaria central, que conduz ao andar superior do glorioso Seminário.

O atual edifício, inaugurado em 15 de agosto de 1934, pelo então arcebispo metropolitano, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, foi construído para abrigar os institutos de Filosofia e Teologia, separando-se do antigo Seminário Menor, fundado em 20 de dezembro de 1750 por Dom Frei Manuel da Cruz, primeiro bispo da Diocese. Até então, tratava-se de um único edifício.

Cravado no coração do barroco mineiro, o Seminário de Mariana é uma joia inigualável, lapidada ao longo de 275 anos por meio do estudo, da pesquisa e da vida cultural. Desde sua origem, preserva o espírito de acolhida — não apenas a seminaristas de sua jurisdição, mas também de outras Igrejas Particulares de todo o Brasil. Nos anos em que ali estive (1976 a 1984), tive colegas das dioceses de Belém (PA), Campo Maior (PI), Januária (MG), Diamantina (MG), Caratinga (MG), Niterói (RJ), Oliveira (MG), Montes Claros (MG), entre outras.

As sementes do Evangelho lançadas deste solo sagrado se espalham por meio da missão de seus egressos — bispos, padres, diáconos e leigos comprometidos que se alimentaram dessa fonte inesgotável de saber iluminado pela fé.

Neste Ano Santo, celebramos com júbilo os 275 anos do Seminário de Mariana. Fundado por Dom Frei Manuel da Cruz, o seminário teve sua direção confiada em 1853 pelo sétimo bispo, Dom Antônio Ferreira Viçoso, aos padres da Congregação da Missão, os lazaristas, que o conduziram por 113 anos, até 1966. A partir de 1967, por iniciativa de Dom Oscar de Oliveira, a gestão retorna ao clero diocesano.

Em 1991, foi criada uma casa de formação específica para os seminaristas da Filosofia, que hoje constitui a Faculdade Arquidiocesana, Dom Luciano Mendes, oferecendo melhor acompanhamento e identidade própria ao curso.

Segundo o site oficial da Arquidiocese, a formação atual é composta por quatro etapas:
GOV – Grupo de Orientação Vocacional, que acompanha jovens do ensino médio, tanto internos quanto externos;
Ano Propedêutico, com sede própria ao lado da Igreja de São Pedro dos Clérigos, oferecendo experiência comunitária intensa, aprofundamento vocacional e conhecimento da realidade da Arquidiocese;
Curso de Filosofia (discipulado), com três anos de duração;
Curso de Teologia (configuração), com quatro anos. Ambas as etapas ocorrem em comunidades distintas na cidade de Mariana.

Retomando as raízes históricas, com a posse canônica de Dom Frei Manoel da Cruz, em 17 de dezembro de 1748, Mariana tornou-se a sexta diocese do Brasil — depois de Salvador (1551), Rio de Janeiro (1676), Olinda (1676), Maranhão (1677) e Pará (1720). Antes disso, as Minas Gerais estavam sob a jurisdição do bispado do Rio de Janeiro, que instituiu cerca de 40 paróquias na região entre 1702 e 1721. Destas, 23 ainda pertencem à Arquidiocese de Mariana.

A bula Candor Lucis Aeternae, que criou simultaneamente as dioceses de Mariana e São Paulo, em 6 de dezembro de 1745, há 280 anos, marcou um novo tempo. Em 1906, por meio da bula Sempiternam Humani Generis, de São Pio X, Mariana foi elevada à categoria de Arquidiocese, junto com Belém do Pará.

Hoje, o antigo território diocesano original de Mariana, que abarcava cerca de um quinto do atual estado de Minas Gerais, está distribuído entre seis províncias eclesiásticas. A catedral marianense se tornou a matriz geradora de cerca de duas dezenas de outras catedrais no estado.

De Mariana irradiou-se a luz do Evangelho – o verdadeiro candor da Luz Eterna – que civilizou, educou e moldou o povo mineiro. Nesta cidade, firmaram-se os pilares da fé católica para os montanheses. E é justamente por reconhecer sua história que a Arquidiocese permanece fiel a um legado que não pode ser esquecido: a adesão plena a Jesus Cristo e à Sua Igreja.

Aqui, há um patrimônio de fé a ser honrado e cultivado, colocado a serviço da solidariedade. Nosso povo, em sua maioria católico, é chamado a renovar com ardor sua missão evangelizadora, para que Jesus, o Bom Pastor, seja mais conhecido, mais amado e reine entre nós com justiça, amor e paz.

Desde os primórdios da Arquidiocese – marcada pela fundação do Seminário apenas dois anos após sua criação – está presente o elo indissociável: IGREJA PARTICULAR E SEMINÁRIO DE MARIANA.

Por: Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco da paróquia Santa Rita de Cássia, em Viçosa (MG)

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