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Brasil Capta US$ 4,5 Bilhões em Títulos Soberanos: Estreia com Demanda Recorde e Percepção de Credibilidade

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (9) um significativo sucesso em sua primeira incursão no mercado internacional de títulos soberanos do ano. A operação, estrategicamente realizada nos Estados Unidos, resultou na captação de impressionantes US$ 4,5 bilhões. Este movimento financeiro envolveu tanto a emissão de um novo título de referência com vencimento em dez anos, o Global 2036, quanto a reabertura de um título de longo prazo já existente, o Global 2056, com maturidade em 30 anos. A iniciativa sublinha a contínua busca do Brasil por financiamento externo e a avaliação de sua dívida por investidores globais.

Detalhes da Captação Total: Um Olhar sobre a Estratégia Brasileira

A transação de US$ 4,5 bilhões foi articulada em duas frentes distintas. A maior parcela, de US$ 3,5 bilhões, foi direcionada à emissão do Global 2036, um novo papel que rapidamente se tornou um marco para o Tesouro Nacional, alcançando um volume recorde para títulos de dez anos. O bilhão restante foi obtido com a reabertura do Global 2056, permitindo ao Brasil otimizar sua estrutura de dívida de longo prazo. Essa abordagem dupla reflete uma gestão astuta que busca equilibrar necessidades de financiamento de curto e longo prazos.

Global 2036: Recorde e Avaliação de Risco no Prazo Médio

O recém-lançado título Global 2036, com vencimento programado para 22 de maio de 2036, não apenas estabeleceu um volume recorde de US$ 3,5 bilhões para papéis de dez anos, mas também atraiu investidores com juros de 6,4% ao ano. Adicionalmente, oferece um cupom de 6,25% ao ano, com pagamentos semestrais em maio e novembro. A precificação deste papel incluiu um spread de 220 pontos-base, ou 2,2 pontos percentuais, acima dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Tanto a taxa de juros quanto o spread servem como indicadores cruciais da percepção de risco dos títulos brasileiros no cenário internacional. Embora os juros e o spread desta emissão tenham sido ligeiramente superiores aos observados na emissão anterior de títulos de dez anos, realizada em novembro – que registrou juros de 6,2% ao ano e spread de 210,9 pontos – o volume recorde captado e a alta demanda atestam a resiliência e o interesse contínuo dos investidores na economia brasileira, apesar de pequenas variações nas condições de mercado.

Global 2056: Otimização da Dívida e Redução do Spread de Longo Prazo

Complementando a operação, a reabertura do título Global 2056 captou US$ 1 bilhão, com vencimento em 12 de janeiro de 2056. Este papel de 30 anos oferece juros de 7,3% ao ano e um cupom de 7,25% anualmente. O diferencial notável aqui foi o spread, fixado em 245 pontos-base, ou 2,45 pontos percentuais, em relação aos papéis de 30 anos do Tesouro estadunidense. Segundo o Tesouro, este spread é o mais baixo para um título brasileiro de 30 anos no mercado internacional desde julho de 2014, quando foi registrado em 187,5 pontos-base.

A comparação com a emissão anterior do Global 2056, que ocorreu em setembro do ano passado, revela uma melhoria significativa. Naquela ocasião, o Tesouro obteve juros de 7,5% ao ano e um spread de 252,7 pontos. A queda tanto nos juros quanto no spread nesta reabertura indica uma percepção de menor risco e maior atratividade para a dívida brasileira de longo prazo, refletindo um cenário econômico e fiscal mais favorável, que pode ser contextualizado por recentes notícias como a redução da previsão de inflação e o bom desempenho da bolsa de valores.

Confiança dos Investidores: Demanda Robusta e Projeção de Credibilidade

A operação demonstrou uma robusta confiança do mercado internacional na dívida brasileira, com a demanda superando em 2,7 vezes o volume ofertado. O livro de ordens, que mede o interesse dos investidores, atingiu aproximadamente US$ 12 bilhões, evidenciando uma forte procura pelos títulos. A captação total para o Global 2036 é a maior já registrada para títulos internacionais de dez anos desde o início das emissões do governo brasileiro no exterior, solidificando ainda mais o êxito da iniciativa.

Em nota, o Tesouro Nacional ressaltou que “os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira, refletindo a percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade do país”. Esta percepção é crucial para a saúde financeira do Brasil e para futuras operações no mercado externo. A coordenação da operação foi realizada por renomadas instituições financeiras globais: HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo.

Os US$ 4,5 bilhões captados serão incorporados às reservas internacionais do Brasil em 19 de fevereiro, fortalecendo a posição cambial do país e a sua capacidade de honrar compromissos futuros. Este resultado não apenas garante recursos importantes para o Tesouro, mas também reafirma a posição do Brasil como um emissor confiável e atrativo no cenário financeiro global, em um contexto de melhora em indicadores macroeconômicos e estabilidade, conforme sugerido pela queda do dólar e o bom desempenho da bolsa de valores.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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