Uma pesquisa seminal, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e publicada na renomada revista The Lancet Rheumatology, trouxe um alívio significativo para milhares de brasileiros. O estudo confirmou que a vacina contra a herpes-zóster, conhecida popularmente como cobreiro, é segura e eficaz para pacientes com doenças reumáticas autoimunes (DRAI), incluindo condições como artrite reumatoide e lúpus.
A relevância dessa descoberta é imensa, especialmente porque indivíduos com DRAI frequentemente possuem o sistema imunológico comprometido, seja pela própria doença ou por tratamentos imunossupressores, tornando-os mais vulneráveis a infecções graves. A herpes-zóster, causada pela reativação do vírus da catapora, pode gerar dores crônicas debilitantes e complicações sérias, inclusive com risco de morte, impactando severamente a qualidade de vida desses pacientes.
Liderado pela Dra. Eloisa Bonfá, titular de Reumatologia da FMUSP, o maior estudo sistemático do mundo nessa área acompanhou 1.192 pacientes e demonstrou que a vacina não aumentou o risco de agravamento das doenças reumáticas. Cerca de 90% dos participantes desenvolveram anticorpos protetores. Contudo, a despeito da robustez científica, a vacina recombinante contra herpes-zóster ainda não foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), gerando um debate sobre acesso e custo-benefício para a saúde pública nacional. A especialista ressaltou que a vacinação poderia evitar internações e altos gastos hospitalares.
Mesmo com 30% dos pacientes em atividade da doença e em uso de imunossupressores, a pesquisa mostrou que a vacina é altamente segura. Embora alguns medicamentos específicos, como rituximabe e micofenolato de mofetila, tenham levado a uma resposta imune reduzida, a vacina é amplamente recomendada para pessoas acima de 50 anos, a faixa etária com maior risco para a reativação do vírus.
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