Aos 82 anos, Victória Grabois, um símbolo de resiliência, segue incansável na luta por memória e verdade. Tendo perdido pai, irmão e marido na ditadura militar (1964-1985), todos assassinados por agentes do Estado na Serra do Araguaia em 1973, ela declara: “Não posso parar e faço tudo o que eu puder fazer para divulgar a memória e acabar com o silenciamento”. Sua trajetória ressalta a busca incessante por justiça e o peso do passado para as famílias brasileiras.
Recentemente, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos promoveram um avanço significativo. Em evento na Universidade Federal da Bahia (UFBA), 27 atestados de óbito foram retificados, incluindo o de Maurício Grabois, pai de Victória, que agora registra “ação violenta do Estado” como causa da morte. Este reconhecimento oficial é crucial para a reparação histórica e moral, mas Victória enfatiza a necessidade de o Estado investigar a fundo as circunstâncias e os locais de enterro das vítimas.
A persistência de Victória, cofundadora do movimento Tortura Nunca Mais, ressoa com outras vozes que buscam esclarecimento. A entidade, inclusive, anualmente concede a medalha “Chico Mendes” a defensores de direitos humanos, conectando violações do passado e do presente. Embora a presidente da comissão, Eugênia Gonzaga, celebre as retificações, ela critica duramente a recusa das Forças Armadas em abrir completamente seus arquivos, falha que impede respostas definitivas às famílias de desaparecidos como Carlos Lamarca e Stuart Edgar Angel Jones. Victória ainda destaca o papel de filmes recentes sobre a ditadura em “furar a bolha”, educando novas gerações sobre a opressão daquele período e a relevância de se conhecer a história.
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