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Acordos de Abraão, sob pressão de Trump, aprofundam o isolamento palestino e fortalecem Israel

© Reuters/Khalil Ramzi/Proibida reprodução

Os Acordos de Abraão, impulsionados pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump e retomados com nova intensidade, representam uma guinada geopolítica que, segundo especialistas, pode isolar ainda mais a causa palestina no Oriente Médio e fortalecer a posição de Israel. Firmados inicialmente por Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão durante o primeiro mandato de Trump, esses tratados visam normalizar as relações entre países árabes e Israel, desvinculando-as da resolução do conflito israelo-palestino, uma estratégia que Trump defende publicamente pelo "boom econômico" gerado aos signatários.

Essa mudança fundamental na diplomacia regional, que quebra o antigo consenso árabe de paz condicionada à criação de um Estado palestino, é vista pelos palestinos como uma traição. A professora Rashmi Singh, da PUC Minas, explica que nações signatárias priorizaram interesses econômicos e de segurança relacionados ao Irã, em detrimento da autodeterminação palestina. A nova pressão de Trump, inclusive condicionando negociações de paz com Teerã à adesão aos acordos, acentua essa desvinculação e concede a Israel maior margem para ações expansionistas, como a anexação da Cisjordânia.

O professor Mohammed Nadir, da UFABC, complementa que os acordos consolidam a subordinação de alguns países árabes às políticas de Israel e EUA, visando tirar Israel do isolamento após críticas por ações em Gaza. As consequências são consideradas desastrosas para os palestinos, que ficariam à própria sorte, sem o histórico apoio regional. Analistas sugerem que o ataque do Hamas em outubro de 2023 também teve como objetivo paralisar as negociações de normalização, especialmente com a Arábia Saudita. Contudo, Rashmi Singh aponta uma aliança militar e diplomática sunita emergente (Arábia Saudita, Paquistão, Turquia, Omã e Catar) que, embora não seja anti-Israel, pode oferecer alguma proteção aos palestinos.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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