Uma alternativa em análise nos bastidores pode destravar, ainda que de forma parcial, as obras do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte. A ideia consiste em autorizar o início dos trabalhos nas etapas do traçado que não interfiram em territórios de comunidades quilombolas, mantendo suspensas apenas as áreas onde há potenciais impactos a esses grupos.
Impasse jurídico e articulação política
A paralisação decorre de um bloqueio imposto em julho pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que determinou a interrupção de qualquer avanço na infraestrutura rodoviária até que as divergências sobre os direitos das populações tradicionais sejam superadas. Desde então, as intervenções de engenharia permanecem congeladas.
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), compareceu ao TRF-6 para tratar do problema com o presidente da Corte, o desembargador Ricardo Machado Rabelo. O futuro chefe do Executivo mineiro sinalizou receptividade para encontrar alternativas que viabilizem a infraestrutura rodoviária.
Busca por conciliação entre as partes
De acordo com o desembargador Ricardo Machado Rabelo, o tribunal avalia meios de harmonizar a necessidade de entrega da obra — compartilhada pela gestão estadual atual e pela futura administração — com o respeito rigoroso às reivindicações dos grupos quilombolas. A presidência da Corte vem colhendo subsídios técnicos e jurídicos para mapear as exigências do Estado, das cidades impactadas e dos moradores da região.
A formulação dessa saída negociada também dialoga com iniciativas do poder local. No mês anterior, o prefeito de Contagem, Ricardo Faria (PSD), defendeu publicamente a estruturação de uma mesa mediadora com representantes de todos os segmentos envolvidos para construir uma resolução conjunta.
Apesar das movimentações institucionais, a proposta de divisão das frentes de trabalho ainda se encontra em estágio inicial e depende de validação jurídica para avançar.
