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Anatel Permite Abatimento de Multas para Conectar Universidades à Internet

© Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília

Em uma decisão inovadora, o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou um mecanismo que permitirá a empresas prestadoras de serviços de telecomunicações abaterem multas devidas em troca de investimentos na conectividade de instituições de ensino superior públicas. A medida visa beneficiar diretamente unidades de universidades e institutos federais que hoje enfrentam sérias dificuldades de acesso à internet, impulsionando a infraestrutura digital acadêmica em todo o país.

A iniciativa é um passo estratégico para combater a exclusão digital no ambiente universitário, transformando penalidades em um benefício concreto para estudantes e pesquisadores. Inicialmente, pelo menos 118 unidades de ensino, distribuídas em 39 instituições de ensino superior e 72 municípios, estão aptas a receber essa infraestrutura aprimorada.

Acordo Inovador: Multas Convertidas em Conectividade Essencial

A resolução da Anatel estabelece que empresas como Telefônica, Claro, Tim e Sky, que acumulam um montante de aproximadamente R$ 29 milhões em multas, possam converter esses débitos em obrigações de serviço. Este novo modelo representa uma oportunidade para as operadoras quitarem suas pendências regulatórias, ao mesmo tempo em que contribuem significativamente para a melhoria da educação superior no Brasil.

O conselheiro Octavio Pieranti, autor da proposta aprovada por unanimidade, detalhou que a decisão obriga as prestadoras a garantir a conexão dessas unidades à internet. Caso as empresas optem por não cumprir a obrigação de conectividade, elas deverão pagar o valor integral da multa, abrindo mão de um desconto de 5% previsto para a conversão.

A Conexão Via Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP)

A implementação da conectividade será realizada por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), uma organização social que já oferece e gerencia a infraestrutura de rede de internet de alta velocidade para faculdades e instituições de pesquisa. A escolha da RNP como parceira técnica garante que as conexões entregues atenderão aos padrões de qualidade e integração acadêmica necessários para o ambiente universitário.

Este mecanismo não apenas resolve um passivo regulatório, mas também assegura que os investimentos em infraestrutura digital sejam direcionados para onde são mais necessários, otimizando recursos e expertise. A parceria com a RNP é fundamental para a fluidez e a eficácia da iniciativa, garantindo que as unidades beneficiadas recebam um serviço robusto e adequado às suas demandas.

Ampliando o Acesso e Combatendo a Desigualdade Digital

A principal motivação da Anatel com essa medida é proporcionar conexão de qualidade a unidades universitárias localizadas em áreas mais afastadas ou em campus que, por diversas razões, ainda não estão integrados à rede de alta velocidade da RNP. Existem, de fato, áreas isoladas dentro de muitos campi universitários sem acesso adequado à rede, e esta proposta busca suprir essa lacuna.

A iniciativa visa, portanto, não apenas fornecer internet, mas também integrar essas unidades a um ecossistema digital que facilita a pesquisa, o ensino e a extensão, combatendo a desigualdade digital que ainda persiste no ambiente acadêmico. A visão é que, com acesso facilitado e de alta velocidade, mais estudantes e pesquisadores poderão usufruir plenamente dos recursos digitais disponíveis.

Perspectivas Futuras e Critérios de Abrangência para Novas Conexões

Embora 118 unidades tenham sido inicialmente mapeadas como beneficiárias, o conselheiro Octavio Pieranti indicou que o número potencial de unidades que podem precisar de conectividade é significativamente maior, com menções a outras 226 instituições. Isso demonstra o vasto escopo e a necessidade contínua de expandir a cobertura.

Para a seleção das unidades a serem beneficiadas, a Anatel definiu um critério de diversidade. As prestadoras que aderirem ao programa poderão escolher as primeiras unidades da lista, mas as subsequentes deverão ser de macro regiões geográficas distintas. Essa regra visa garantir uma distribuição equitativa dos benefícios em todo o território nacional, sem priorizar uma região específica em detrimento de outras.

A decisão da Anatel representa um marco importante na convergência de políticas regulatórias e sociais, demonstrando como a atuação de agências pode ir além da fiscalização, impulsionando o desenvolvimento tecnológico e educacional. Ao transformar multas em investimento direto na conectividade universitária, a agência não só cumpre seu papel regulatório, mas também contribui ativamente para a inclusão digital e o avanço da educação superior no Brasil, com um impacto duradouro em milhares de estudantes e na produção de conhecimento.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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