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BRB Apresenta Plano Estratégico ao Banco Central para Recomposição de Capital Após Perdas com Banco Master

© Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) entregou formalmente ao Banco Central (BC) seu Plano de Capital, detalhando as ações destinadas a reequilibrar seu balanço financeiro e fortalecer a liquidez da instituição. O cronograma estabelecido para a execução das medidas prevê um prazo máximo de 180 dias, visando estabilizar a situação do banco após perdas significativas ligadas a operações com o Banco Master.

A apresentação do documento, ocorrida na última sexta-feira, dia 6, contou com a presença do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que o entregou pessoalmente ao diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan. O secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, também participou do encontro, sublinhando a relevância da iniciativa para a capital federal.

A Estratégia de Recomposição e os Desafios de Capital

O plano submetido pelo BRB consiste em um conjunto de ações preventivas, concebidas para serem implementadas caso se confirme a necessidade de aporte de recursos por parte do Governo do Distrito Federal (GDF). A ativação dessas medidas dependerá diretamente da conclusão das investigações em andamento, que apuram as transações questionadas. A instituição financeira enfatiza que a iniciativa visa primordialmente assegurar sua sustentabilidade a longo prazo, preservar a estabilidade de suas operações e garantir a transparência para clientes, investidores e parceiros.

Embora o BRB não tenha divulgado valores específicos em seu comunicado oficial, o contexto por trás da urgência do plano é marcado por estimativas de um impacto financeiro considerável. Em depoimento à Polícia Federal no ano anterior, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, apontou que as operações envolvendo o Banco Master teriam gerado um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB. O documento apresentado ao BC foi descrito como protetor dos clientes e garantidor do funcionamento da instituição, mas sem detalhamento das ações propostas.

Mecanismos para o Fortalecimento do Balanço

Para levantar o capital necessário, o BRB possui teoricamente cinco avenidas principais. A primeira envolve a obtenção de empréstimos junto a outras instituições financeiras, incluindo bancos privados e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A segunda possibilidade é a alienação de ativos, com foco em carteiras imobiliárias e créditos concedidos a estados e municípios. Uma terceira opção contempla a criação de um fundo imobiliário, que seria composto por terrenos e imóveis pertencentes ao GDF e, posteriormente, transferido ao banco.

As duas últimas alternativas implicam o envolvimento direto do governo distrital: aportes diretos do Tesouro do Distrito Federal ou um empréstimo do GDF com o apoio do FGC, com repasse subsequente ao BRB. É crucial ressaltar que qualquer medida que mobilize recursos do governo do Distrito Federal exigirá a aprovação da Câmara Legislativa do DF. O objetivo central do plano é injetar liquidez, otimizar o tamanho da instituição e reduzir a dependência de novos aportes do controlador, especialmente em um cenário de restrições fiscais.

Contexto das Investigações e Movimentações Estratégicas

As investigações em curso focam na aquisição, por parte do BRB, de carteiras de crédito do Banco Master, totalizando cerca de R$ 12,2 bilhões. Suspeita-se que esses ativos estivessem superfaturados ou fossem inexistentes. O BRB, por sua vez, informa que aproximadamente R$ 10 bilhões desse total já foram substituídos ou liquidados, negando qualquer bloqueio de bens relacionados às apurações. Essa situação é o pano de fundo para as ações de recomposição de capital.

Paralelamente, o BRB tem realizado movimentações estratégicas para reforçar sua posição. Segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo, o banco teria vendido aproximadamente R$ 5 bilhões em ativos de alta qualidade, como crédito consignado e antecipação de saques do FGTS. Essas vendas teriam como propósito conter a fuga de capitais deflagrada após a liquidação do Banco Master e o avanço das investigações sobre as operações controversas. Além disso, a instituição negocia a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras de crédito concedidas a estados e municípios, garantidas pelo Tesouro Nacional, operação que poderia gerar cerca de R$ 730 milhões em valor presente. O BRB também busca desfazer-se de fundos de investimento que foram adquiridos do próprio Banco Master, demonstrando uma reestruturação ativa de seu portfólio.

A complexidade da situação se estende a outras esferas, com notícias relacionadas, como a investigação da Polícia Federal sobre a previdência do Amapá por investir R$ 400 milhões no Banco Master, e a retirada da quebra de sigilo do Banco Master da pauta da CPMI do INSS, evidenciando um cenário de amplo escrutínio sobre as operações.

Perspectivas e Compromisso com a Integridade

Com a entrega do Plano de Capital, o BRB reitera seu compromisso inabalável com a sustentabilidade, a proteção de seus clientes, investidores e parceiros, e a integridade de suas operações. A instituição enfatiza que a adoção de todas as medidas necessárias visa preservar a continuidade de suas atividades em meio a um período de desafios e reestruturações. A aprovação e execução bem-sucedida do plano, bem como a conclusão das investigações, serão determinantes para o futuro do Banco de Brasília e sua capacidade de superar os impactos financeiros e reputacionais decorrentes das operações com o Banco Master.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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