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Cachaça e samba são declarados patrimônios de Minas Gerais

Cachaça e samba se tornam patrimônio imaterial de Minas Gerais

Em uma deliberação marcante para as tradições populares, o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep) aprovou o reconhecimento dos processos de feitura da cachaça de alambique e das manifestações do samba como patrimônio imaterial de Minas Gerais. Avaliados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), os registros garantem a salvaguarda de saberes ancestrais. Na mesma assembleia, o colegiado acolheu uma solicitação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para o tombamento definitivo da histórica Pensão Tormim, a Casa de Dona Beja, localizada em Araxá.

Tradição e fortalecimento da cachaça artesanal de alambique

A proteção conferida à aguardente coroa uma trajetória de pesquisas iniciada em 2004 pelo Iepha-MG. Ao longo de duas décadas, especialistas catalogaram estabelecimentos produtores nas cidades de Salinas, Januária, Caeté, Paraopeba, Montes Claros e Guaraciaba. Segundo levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG), o território mineiro conta atualmente com 630 alambiques devidamente registrados, respondendo pelo envase de aproximadamente 13,5 milhões de litros a cada ano.

Com o novo status, o poder público busca ampliar o alcance comercial e combater preconceitos em torno da atividade destilatória. “Esse reconhecimento vai gerar oportunidades para que vários produtores, inclusive aqueles que não são cadastrados oficialmente, possam ter o seu valor reconhecido. O processo produtivo da cachaça está sendo respeitado inclusive já incluindo as mudanças proporcionadas pela inovação e evolução”, afirmou a secretária de estado adjunta de Cultura e Turismo, Josiane de Souza.

Na Zona da Mata, em Guaraciaba, a família de Sara Regina Santana Santos atua no setor há mais de seis décadas. Para a produtora, a medida do Iepha-MG ampara uma extensa cadeia humana. “A produção pelo alambique artesanal envolve muitas famílias, desde o plantar e colher de cana até o produto final. Envolve muitos trabalhadores”, garante.

A valorização cultural também atua como ferramenta educativa para os apreciadores. “Esse reconhecimento também vai nos permitir mostrar para as novas gerações como beber cachaça. Antes, ela era mal vista, mas hoje, pelo movimento que temos tido, as pessoas estão aprendendo a degustar”, diz Sara.

Meta nacional e integração gastronômica

Durante a abertura dos trâmites técnicos, o secretário estadual de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, traçou um paralelo entre o destilado e o Queijo Minas Artesanal, pontuando que o registro consolida o “arcabouço que faz parte da tradição da cozinha mineira”. O gestor ressaltou os próximos passos: “Depois vamos levar o pleito para ser reconhecido como patrimônio do Brasil. A cachaça junta-se a outro projeto, o da cozinha mineira, de 2023, onde protegemos o milho e mandioca, substratos importantes, quando a cachaça já era utilizada na culinária”.

Samba mineiro: ancestralidade e reparação histórica

O reconhecimento do samba enquanto patrimônio cultural imaterial atende a uma mobilização iniciada há dois anos pelo Coletivo Sambista Mestre Conga. De acordo com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Minas Gerais reúne atualmente 246 agremiações e grupos cadastrados formalmente.

Para quem vivenciou a perseguição contra o gênero, a homologação representa uma conquista fundamental. “Esse é um momento histórico e de vitória. Nossos ancestrais lutaram tanto por essa cultura. Na época da ditadura, quando o samba era proibido, o sambista apanhava e era preso, samba era coisa de vagabundo e cachaceiro. Hoje, o samba ser reconhecido como patrimônio cultural é uma vitória para o sambista. Hoje o samba desfila nos maiores salões do Brasil, ele é visto como uma grande joia da cultura brasileira”, diz Nonato, referindo-se a Raimundo Nonato da Silva, coordenador do M

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