A cadeia produtiva da cachaça em Minas Gerais movimentou impressionantes R$ 624,7 milhões em 2025, solidificando o estado como um polo essencial para a bebida mais brasileira. Com 36,7% dos estabelecimentos produtores do país e a maior diversidade de rótulos registrados, a cachaça mineira vai muito além de um destilado; é um pilar econômico e cultural que sustenta tradições e gera renda em diversas regiões.
Essa representatividade vai além dos números. O estado possui 564 estabelecimentos registrados e 2.922 cachaças diferentes, 35% do total nacional, conforme o Anuário da Cachaça 2026. Essa vasta produção, espalhada por municípios como Salinas, Córrego Fundo e Itaverava, reflete a rica identidade territorial mineira e o saber ancestral transmitido entre gerações, transformando cada garrafa em um pedaço da história local.
Contudo, o grande desafio reside em converter essa liderança nacional em maior projeção internacional. Embora o Brasil tenha exportado quase US$ 17 milhões em cachaça em 2025, Minas Gerais contribuiu com apenas US$ 1,5 milhão. Mário Marques, do SindBebidas-MG, ressalta a necessidade de transformar a autenticidade e história da cachaça mineira em "mais competitividade e presença em novos mercados", sublinhando o vasto potencial inexplorado para a bebida no cenário global.
Para alcançar esse objetivo, aprimorar a cadeia é crucial. Cristiano Lamego, da Câmara Setorial da Cachaça do MAPA, enfatiza que aspectos como padronização, certificação e promoção comercial são essenciais para expandir a presença mineira lá fora. Instituições como o CIT Senai já atuam, oferecendo análises físico-químicas e de contaminantes que, segundo Zenilde Viola, gerente do CIT, complementam o saber artesanal com dados mensuráveis, garantindo a qualidade e adequação às exigências internacionais sem perder a identidade.
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