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Diagnóstico tardio de câncer de pulmão: um desafio alarmante no SUS com baixas chances de cura

© REUTERS / Amanda Perobelli/Proibida reprodução

O câncer de pulmão emerge como um dos grandes desafios da saúde pública brasileira, com a esmagadora maioria dos diagnósticos ocorrendo em estágios avançados, quando as chances de cura são significativamente reduzidas. Uma análise recente do Instituto Lado a Lado pela Vida, baseada em 14.145 registros do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, revela que quase 90% dos casos de câncer de pulmão são identificados nas fases 3 ou 4 da doença, um cenário globalmente crítico que se agrava no Brasil.

Os dados da plataforma Data Câncer 360º são alarmantes: dos diagnósticos com estadiamento conhecido, 89,6% (7.267 pacientes) já estavam em estágio avançado. Apenas 10,4% dos pacientes tiveram a chance de um diagnóstico precoce. Segundo o oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico do Instituto, a natureza silenciosa da doença é um fator crucial; os sintomas iniciais, como tosse ou falta de ar, são frequentemente confundidos com quadros mais comuns, atrasando a busca por ajuda médica e agravando o prognóstico.

Apesar do aumento da exposição a fatores de risco como tabagismo, sedentarismo e má alimentação, o Brasil carece de um programa nacional de rastreamento para o câncer de pulmão, diferentemente de outras neoplasias. Morbeck destaca que, embora tomografias anuais sejam eficazes para grupos de risco (como tabagistas e ex-tabagistas) e disponíveis no SUS, a ausência de políticas públicas para direcionar esses exames deixa os pacientes vulneráveis, dependentes do aparecimento de sintomas para buscar atendimento. O uso inadequado de radiografias de tórax, insuficientes para um diagnóstico preciso, também contribui para a ineficácia e o atraso.

Além disso, o estudo aponta para deficiências na qualidade dos registros oncológicos públicos, com 40% dos casos sem informação sobre tamanho do tumor ou metástase. A situação sublinha a urgência de uma mudança de paradigma, com foco em prevenção e detecção precoce, e a implementação de programas de rastreamento efetivos. Essa transformação é vital para alterar o desolador panorama de diagnósticos tardios e oferecer mais esperança aos pacientes.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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