A comunidade de Furquim (Mariana – MG) celebrou, no dia 1º de janeiro, a tradicional Festa em Honra ao Padroeiro Senhor Bom Jesus do Monte. A data foi marcada por momentos de profunda devoção, encontro entre os fiéis e valorização das tradições religiosas que integram a história e a identidade do distrito.

A programação reuniu celebrações religiosas e expressões de fé que reforçam os laços comunitários e mantêm viva uma das mais importantes manifestações culturais do território. As atividades atraíram moradores, visitantes e fiéis que retornaram à comunidade especialmente para participar da festividade.
No dia dedicado ao Padroeiro, houve um momento especial voltado à catequese, seguido da Santa Missa, que foi precedida por uma piedosa procissão. A celebração contou ainda com o canto do Te Deum e a bênção do Santíssimo Sacramento, reforçando o caráter solene e espiritual da data.

Em sua homilia, o celebrante Padre Lucas destacou a importância da vida em comunidade e da fé em Cristo Jesus como salvador. O pároco ressaltou que o Menino Bom Jesus veio para alimentar a alma com valores e ensinamentos do bem, e aproveitou a ocasião para convidar os moradores nativos, os furquinheses ausentes, aqueles que vivem fora da comunidade e os visitantes a participarem ativamente das ações comunitárias.
Segundo o sacerdote, a presença e o envolvimento dos fiéis nas atividades religiosas demonstram que a união dos irmãos fortalece as famílias e aprofunda os laços de fé, amizade e solidariedade, pilares essenciais para a vivência cristã e comunitária.
História
Antônio Furquim da Luz foi o descobridor das minas que levaram seu nome e o fundador do Arraial dos Furquim, onde em 1704 foi consagrada a Capela de Bom Jesus do Monte, segundo Diogo de Vasconcelos. (História Antiga das Minas Gerais).

Igreja Bom Jesus do Monte (antigamente)
Nesse arraial viveu por muitos anos, enfrentando dificuldades como revoltas de escravos, escassez de alimentos, doenças, alem de ataques dos índios ferozes e canibais. (…) “O ataque dessa gente atrocíssima por tal maneira aterraram a freguesia do Forquim, que Antonio Forquim da Luz, o seu fundador, desgostoso, acertou de melhor que resistir a semelhantes inquietações, regressar em 1728 para São Paulo, acautelando os anos da última velhice”. (Diogo de Vasconcellos, op.cit, vol 1, fls 234).
Principal centro minerador, em 1706 já era considerado paróquia e, em 16 de fevereiro de 1724, tornou-se paróquia colativa. O nome do distrito é uma referência a um dos primeiros descobridores de ouro na região, o sertanista Antônio Furquim da Luz, e que por este fato obteve uma Sesmaria em 1711 e decidiu fundar o arraial. Junto com Mariana, são as duas mais velhas paróquias de Minas Gerais.
As filiais eram as atuais freguesias do Sumidouro, São Sebastião, Arripiados (hoje Araponga), Ponte Nova, São Caetano, Barra Longa e Santa Rita do Turvo, hoje Viçosa.
O Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais traz um dado interessante sobre a localidade: “Na lista secreta dos homens mais abastados da Capitania, feita em 1746, e a qual nos temos referido mais de uma vez, constam, de Furquim, 19 nomes, dos quais 13 eram mineiros”. Mais tarde, o local entrou em decadência e perdeu a regalia de paróquia.
Igreja Matriz Bom Jesus do Monte
A igreja matriz dedicada ao Senhor Bom Jesus do Monte, datada de meados do século XVIII, precisamente no ano de 1745, foi construída em substituição à primitiva capela. Em 1767, a sacristia e a capela-mor foram reedificadas e, nos anos seguintes, ali trabalhou o renomado construtor marianense da época José Pereira Arouca, conforme indica documento datado de 1782, no qual a Rainha D.Maria I manda pagar ao empreiteiro por obras realizadas na igreja.
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Fonte Histórica: https://pt.wikipedia.org/wiki/Furquim