O auxílio financeiro internacional concedido por nações ricas a países em desenvolvimento e instituições multilaterais sofrerá um corte histórico de 23,1% em 2025, totalizando US$ 174,3 bilhões. Essa é a maior redução já registrada, marcando o segundo ano consecutivo de diminuição e gerando preocupação sobre o futuro do desenvolvimento global.
A Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD), como é conhecida essa modalidade de recursos públicos, é vital para combater a pobreza, apoiar nações em conflito – como a Síria – e financiar programas essenciais, desde alimentação até a preservação ambiental. Os dados alarmantes são do estudo "Financiamento para o Desenvolvimento", do Brics Policy Center (PUC-Rio), que analisou informações do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE.
Fatores por trás da redução
A maior parte do corte, 95,7%, concentra-se nos cinco maiores doadores globais, com os Estados Unidos respondendo por impressionantes 75,1% da diminuição ao cortar mais da metade de sua ajuda (56,9%). Essa retração coincide com a postura antimultilateralista de Donald Trump e o redirecionamento de investimentos para defesa e segurança energética, impulsionado, em parte, pela Guerra da Ucrânia.
Essa "retração seletiva" não afeta uniformemente as instituições, com o financiamento ao sistema ONU sofrendo queda de 27%, enquanto o Banco Mundial e bancos regionais registram aumentos. Os acadêmicos projetam uma nova redução de 6,9% em 2026, levando o patamar de ajuda ao mesmo nível de 2014. Exceção notável, a Ucrânia se tornou o maior recebedor individual da história da AOD, evidenciando prioridades estratégicas, mesmo em contraste com os 44 Países Menos Desenvolvidos.
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