A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, gerou reações de insatisfação entre entidades industriais e trabalhistas. A medida, anunciada nesta quarta-feira, foi amplamente classificada como “tímida” e insuficiente para aliviar a pressão financeira sobre empresas e famílias brasileiras.
Para as representações desses setores, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a cautela do Copom destoa da trajetória consistente de desaceleração inflacionária, que já alcança 4,22% no acumulado de 12 meses. Segundo a CNI, o atual patamar dos juros reais, cerca de 9%, permanece bem acima da taxa neutra estimada, impondo um custo desnecessário à economia e limitando a capacidade de investimento e consumo.
Ricardo Alban, presidente da CNI, reforça a necessidade de continuidade no ciclo de cortes, apontando que manter a Selic em nível tão restritivo por longo período impede a convergência da inflação para a meta sem comprometer o crescimento. Da mesma forma, Neiva Ribeiro, da CUT, e a Força Sindical, alertam para o impacto negativo dos juros altos no crédito, na geração de empregos e na distribuição de renda, classificando o corte como um “balde de água fria”.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também ecoa a preocupação, destacando que, embora positiva, a redução não basta. O setor, altamente dependente de crédito e com projetos de longo prazo, enfrenta desafios persistentes com juros de dois dígitos desde 2022. A expectativa é por um ambiente macroeconômico mais estável que permita a sustentabilidade da queda dos juros, estimulando novos investimentos e uma retomada econômica mais vigorosa.
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