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Crônica da Semana:  NÃO GOSTO DO ATUAL GOVERNO? MAS, POR QUÊ?

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Estava assistindo a reportagem da pesquisa de opinião sobre as intenções de votos para presidente da República que a TV Globo encomendou. E quando vi o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas intenções de votos para o segundo turno, aí me preocupei. Foi avaliado até o nível de satisfação popular acerca do atual governo onde aparece um alto nível de insatisfação e rejeição ao atual presidente.

E, tudo isso começa com uma simples pergunta: O que mais tem nas redes sociais e nos grupos de whatsapp são queixas e campanhas difamatórias contra o governo do presidente petista Luís Inácio Lula da Silva? A grande questão que fica é por que o eleitor avalia tão negativamente o governo atual? Será que esta alta rejeição ao atual governo é legítima ou o povo não tem o menor conhecimento do que está falando. O brasileiro, realmente, tem memória curta.

O Brasil afundou em uma crise política em 2016 desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff que levou o país para uma crise econômica e ao colapso. O ano de 2017, por exemplo, tivemos até a greve dos caminhoneiros, durante o mandato de Michel Temer, que foi filmado recebendo uma mala de dinheiro da JBS. Detalhe, os bolsonaristas tentam associar Temer ao PT pelo fato dele ter sido vice-presidente da Dilma, só que esquecem que um impeactment só acontece se o vice aceita participar dele. Existe, no mínimo, uma ruptura, se não existir é que a união nunca ocorreu.

Temer foi indiciado e, para ser salvo, Bolsonaro lhe dá um cargo diplomático para que este goze de imunidade parlamentar. Durante o mandato de Temer, ele criou uma série de estratagemas para fugir de um impeachment para que não fosse preso. Enquanto isso, o brasileiro sofria entre os anos de 2017 e 2018. Mas, mal imaginava o povo que no mandato seguinte seria ainda pior.

 Quando Bolsonaro assume em 2019, o que temia aconteceu. O perfil explosivo de Bolsonaro trouxe ainda mais instabilidade política. Foi um governo marcado por frituras e demissões, promovendo demissões de ministros importantes que haviam se desentendido com sua ala ideológica. Autorizando desmatamento de reservas, gerando problemas ambientais. Em relação a diplomacia, o governo promoveu uma guinada radical na política externa brasileira, focando em um alinhamento direto com o governo norte-americano de Donald Trump e com nações de lideranças conservadoras, abandonando o perfil pragmático tradicional do Itamaraty. Ele chegou ao ponto de insultar a esposa do presidente francês Emmanuel Macron.

A política de salário mínimo do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) foi marcada pela interrupção do ganho real automático e pela correção baseada apenas na inflação. Pois, durante o seu mandato, o governo não renovou a fórmula adotada em gestões anteriores, que garantia reajustes compostos pela inflação mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB). Para se tiver uma ideia, somando os três primeiros anos da gestão Bolsonaro, o salário mínimo aumentou 100 reais. Sendo que o aumento salarial do atual governo é 120 reais por ano.

O poder de compra do brasileiro no governo Jair Bolsonaro, por conta dos reajustes focados apenas na reposição da inflação não houve ganho real na maior parte do mandato. Lembrando que em três anos, o valor somado do reajuste foi de 100 reais. E ainda tinha outro agravante, que é a inflação dos alimentos, com alta acumulada de quase 50% em 4 anos, impulsionada pelo “boom” das commodities e desvalorização do Real. A Renda Média do Trabalhador registrou queda real e estagnação em decorrência da crise sanitária e inflação de dois dígitos em 2021. Em seu governo, o país volta para o mapa da fome em 2021. Enquanto o povo morria de fome, ele zerou o imposto de importação para jet-skis, veleiros, balões e dirigíveis em março de 2022.

Por sua vez, no governo Lula, a política do salário mínimo trouxe o retorno da política de valorização real, tendo como ponto forte o aumento acima da inflação. Para entender melhor, na política do salário mínimo praticada pelo atual governo a ideia é aumentar o salário mínimo acima da inflação significa dar um ganho real ao trabalhador, o que faz com que o reajuste do piso salarial seja maior do que o aumento dos preços de produtos e serviços essenciais. Ou seja, aumenta o poder de compra da população.

O que influencia na política de inflação dos alimentos tendo alta acumulada de 12% nos primeiros 32 meses, mas com repiques recentes que geram pressão no orçamento. Isso se dá diante do tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump aos produtos brasileiros. Sob a influência dos filhos de Jair Bolsonaro. Principais responsáveis da instabilidade política enfrentada pelo Brasil.

A renda média do trabalhador, no governo Lula, registrou alta real de 16% entre 2022 e 2024, impulsionada pela queda do desemprego. Diferentemente do governo anterior. É um país com menos desempregados, e que saiu do mapa da fome em 2025, novamente. A primeira vez que saiu do mapa da fome foi em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff. Quando conseguiu sair do mapa pela primeira vez em 2014, foi por conta dos anos de investimentos em redes de proteção social como “Bolsa Família”. O brasileiro compra mais, está empregado e está fora do mapa da fome. Por que o Brasil estaria quebrado?

Para se ter uma ideia o valor da dívida externa bruta do Brasil foi estimada em cerca de US$ 416,9 bilhões pelo Banco Central do Brasil no início de 2026. De acordo com o Departamento do Tesouro Americano a dívida externa bruta dos Estados Unidos atingiu aproximadamente US$ 30,2 trilhões no primeiro trimestre de 2026. Sendo que a dívida do governo dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões (R$ 206 trilhões) nos primeiros 19 meses do segundo mandato de Donald Trump. E o Trump quebrou os estados Unidos?

Lembrando que a dívida externa bruta do Brasil encerrou o ano de 2022 (último ano do governo Jair Bolsonaro) em aproximadamente US$ 319,6 bilhões (cerca de R$ 1,56 trilhão na cotação da época). Lembrando que, em 2020, até mesmo em razão da conduta do ex presidente na pandemia, a dívida bruta deu um salto de 12,5 pontos porcentuais, encerrando aquele ano em 86,9% do PIB, segundo o BC. Maior que a que o Lula tem hoje.

Vários desses déficits que o governo Lula acumulou deve-se ao que foi feito na gestão passada, no caso, o “calote dos precatórios”. Refere-se à aprovação da PEC dos Precatórios (Emenda Constitucional nº 113 e 114) em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro. Os Precatórios são dívidas que o governo é obrigado a pagar após uma decisão judicial definitiva. A medida permitiu ao governo federal limitar o valor pago anualmente em precatórios e adiar a quitação de parte dessas dívidas judiciais até 2026. O adiamento dos pagamentos gerou um passivo bilionário herdado pelas gestões seguintes. O montante acumulado em dívidas de precatórios chegou a R$ 141,7 bilhões no final de 2022, que foram pagos pela atual gestão.

E aí voltamos a pergunta inicial, por que o atual governo é ruim? Por que o Lula é acusado de quebrar o Brasil? Será mesmo que  esta afirmação pe uma opinião construída e formada ou influenciada por terceiros? Se a opinião foi formada, os fatos pelos quais está apoiado são reais e concretos ou frutos da imaginação de terceiros? Será que a insatisfação é genuína ou um efeito manada? Muitas vezes queremos ver o impeachmente de alguém ou uma mudança no governo para ver o circo pegar fogo. A verdade é que o impeachment de 2016 ajudou a destruir o Brasil e quem está na presidência está tentando reconstruir o país com trabalho e seriedade, diferentemente, daqueles que querem entrar.

Por mais que tentasse ser isento, não dá para ficar quieto vendo a desinformação influenciar  e vencer as eleições. É evidente que nenhum dos candidatos que aparecem nesta disputa representam algo novo e uma opção concreta a qual vale a pena arriscar. Enquanto um se apoia nos resultados obtidos em suas gestões, o outro se apresenta como candidato com uma candidatura de protesto. Não tem plano, nem projeto, não realizou nada relevante na vida pública, só causou caos e atuou contra o próprio país. A única família que zela é a dele. É para um sujeito desses que 40% do eleitorado quer depositar o seu voto no segundo turno.

Mariana, 08 de setembro de 2026.

Alexandre Marques

Teólogo e Estudante de Jornalismo – Ufop

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