Uma divergência pública entre o prefeito de Angelo Oswaldo (PV) e o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), repercutiu durante uma cerimônia oficial da Medalha da Inconfidência, 21 de abril realizada em Ouro Preto.
Durante sua fala como anfitrião do evento, Angelo Oswaldo abordou o modelo de escolas cívico-militares, defendendo que a educação contemporânea deve ser orientada por princípios como lucidez, transparência e valores democráticos. O prefeito ponderou que o formato atualmente adotado, que classificou como “cívico-militarista”, não seria o mais adequado para os desafios educacionais atuais.
“Se militarmos em favor de uma educação cívica, lúcida, transparente e democrática, seguiremos a lição de Rui Barbosa, que nas eleições de 1910 condenou o militarismo como um atentado aos princípios da basilares da Republica. Sobretudo agora, quando as Forças Armadas do Brasil, acham-se pacificadas e coesas, não há que apelar ao militarismo”, disse o prefeito Angelo Osvaldo.
A declaração provocou reação imediata do governador Mateus Simões, que considerou a manifestação inadequada ao contexto da cerimônia. Em tom firme, ele afirmou que o evento não deveria ser utilizado como espaço para críticas institucionais. Simões ainda pediu que os militares homenageados se levantassem para receber aplausos e ressaltou a importância do respeito às Forças Armadas e às tradições cívico-militares. “Se há quem tenha vergonha do militarismo, essa casa não o tem”, declarou.
O governador também criticou o que classificou como “descortesia” por parte dos anfitriões e avaliou que o momento foi indevidamente politizado.
A repercussão do episódio foi imediata. Em resposta, Angelo Oswaldo publicou um vídeo em suas redes sociais contestando a interpretação do governo estadual. O prefeito classificou a reação como arbitrária e reforçou que sua fala não teve caráter de ataque, mas sim de defesa de um modelo educacional alinhado aos princípios democráticos e à tradição republicana brasileira.
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O episódio evidencia o embate de visões sobre políticas educacionais e o papel das instituições cívico-militares no contexto atual, tema que segue gerando debates em todo o país.