Por Alexandre Marques
O ex-prefeito de Mariana, Duarte Júnior, lançou sua pré-candidatura para uma cadeira no Congresso Nacional, nestas eleições de 2026. Independente do grupo político que você venha pertencer, em Mariana, seria excelente para a cidade ter alguém que represente seus interesses em Brasília. Ainda mais depois do que houve aqui por conta do rompimento da barragem de fundão e como o município e os seus atingidos foram desdenhados no acordo de repactuação que beneficiou mais a empresa e os governos estadual e federal.
O grande problema é a profunda crise política que a cidade enfrenta desde 2020, que afeta a credibilidade do político marianense. A questão envolve muitas camadas que precisam ser tratadas, como o irmão e atual prefeito da cidade têm tratado os seus opositores políticos, querendo ou não eles têm grande influência por parte do eleitorado da cidade. E isso pode afetar e, muito, as pretensões de Duarte Júnior nestas eleições. Quanto mais fragmentar os votos do eleitorado fica pior.
A pergunta que te faço é: Será que é ou não ter um deputado federal que tenha profundas ligações afetivas e políticas com o município? E se este candidato for da família Duarte? São duas perguntas que você precisa refletir neste momento. Mas, para fazer esta reflexão é importante levar em consideração o atual cenário do município que cresce desenfreadamente, aliás, incha e o quanto um deputado federal ligado ao município pode representar no quesito de emendas e verbas que podem ser destinadas para a cidade que clama por um crescimento estrutural.
Duarte Eustáquio Gonçalves Junior nasceu em 11 de setembro de 1980, na cidade de Ponte Nova, é um empresário e político brasileiro, hoje filiado ao partido Republicanos, em Minas Gerais. Filho do ex-vereador Duarte Eustáquio Gonçalves e irmão do atual prefeito Juliano Vasconcelos Gonçalves, mais conhecido como Juliano Duarte.
Du, como é conhecido, é graduado em Direito e possui Mestrado em Ciências Ambientais, atua como empresário tendo experiência acumulada na gestão e administração de empreendimentos no setor privado. Conhecido por sua simpatia, Duarte Júnior tem como marca a sua acessibilidade diante do público. O relacionamento humano dele como o eleitor é impressionante. Na política, depois de seguidos mandatos como vereador, em 2012 é eleito para o cargo de vice-prefeito no pleito de 2012.
Depois da cassação do mandato do então prefeito de Mariana, Celso Cota, no ano de 2015. Ele acabou sendo alçado ao posto de prefeito municipal, assumindo no ano em que a cidade passaria por sua maior crise em sua história, o rompimento da barragem de Fundão e consequentemente a destruição dos subdistritos de Bento Rodrigues e Barra Longa. Sendo o prefeito com a marca da maior crise ambiental e econômica da cidade, já que se reelege em 2016 com 74,37% dos votos válidos.
Ele governou a cidade, nos anos seguintes, em tempos de crise na mineração que afetou o desemprego na região. Ainda mais agravada pela crise política enfrentada pelo país, desde a queda da ex-presidente Dilma Rousseff em uma manobra questionável, no mínimo. O mandato dele enfrentou altos e baixos, ainda mais influenciado devido à falta de entrada de recursos nos cofres da prefeitura do dinheiro da mineração. Por outro lado, houve a quem desagradasse, e no fim de seu mandato ainda explodiu a pandemia da covid-19. Tanto que os últimos dias de seu mandato ele passou internado no hospital tratando da doença.
Ex-prefeito de Mariana, após o seu mandato disputou as eleições de 2022 e 2024, a primeira para deputado estadual e ficou como suplente alcançando mais de 40 mil votos, aproximadamente. E a eleição de 2024 concorreu ao cargo de prefeito de Ouro Preto perdendo para Ângelo Oswaldo do PV. Em 2024 assumiu interinamente a condição de deputado estadual na Assembleia legislativa de Minas Gerais, entre os meses de fevereiro a julho daquele ano.
E no dia 4 de julho de 2026, Du lançou sua pré-candidatura a Deputado Federal com forte base de apoio na região dos Inconfidentes. O que será muito bom para a região que terá um político da região como representante no Congresso Nacional. Por outro lado ele estará disputando votos com Paulo Abi-Ackel, nascido em Belo Horizonte e está mais alinhado com os políticos de centro-direita. Será uma disputa dura.
Contra Duarte, obviamente, existem as questões ligadas aos processos e condenações improbidade administrativa e fraude em licitações que em algum momento podem voltar a vir a tona. A situação é que em junho de 2023 o político foi considerado culpado e chegou a ser condenado com a perda dos direitos políticos (inelegibilidade) pelo período de cinco anos e aplicação de multa civil no valor de 30 mil reais. No entanto, em maio de 2026 houve a imputação da perda de mais quatro anos de direitos políticos (9 anos, no total) e multa adicional de R$ 5.000,00.
O processo tratou do desvio de materiais de construção de uso público para beneficiar terceiros e fraude em concessões públicas durante o período eleitoral de 2016. Duarte Júnior alegou ter sido pego de surpresa e manifestou intenção de contestar o resultado. Sendo assim, ex-prefeito Duarte Júnior está apto para disputar as eleições de 2026. Mas, em qualquer momento estas questões jurídicas, geralmente aparecem, quando alguém gera incômodo à certos grupos políticos.
Depois de perguntas feitas ao eleitor e aos demais grupos políticos acerca da importância de se ter um deputado federal que tenha motivos para olhar para nossa região. A pergunta fica agora para Duarte Júnior, que tipo de deputado ele pretende ser para nossa região? Disponibilidade para apoiá-lo a população já demonstrou que tem, mas, o que a cidade precisa é que ele olhe para dois aspectos fundamentais: o primeiro, obviamente o tratamento para o município e para as vítimas do rompimento da barragem de fundão.
A cidade clama, desesperadamente por crescimento na estrutura, não há moradia suficiente, aluguéis inflacionados, o trânsito é um inferno. Sem contar às famílias que foram injustiçadas nessa reparação injusta e ofensiva feita através do PID. O outro aspecto, já foi citado, a necessidade do crescimento estrutural. O centro é um formigueiro, não tem ônibus para todos, mas, não tem como colocar nenhum carro para atender. Tem muito a se fazer, o senhor e o seu irmão podem entrar para a história de Mariana como os maiores políticos da história do município, basta querer.
A cidade sempre foi uma verdadeira bagunça política. É inacreditável que a cidade mais antiga de Minas Gerais viva assim, vivendo do saudosismo e tendo um prefeito semi-analfabeto como o maior prefeito da história do município. Nada contra, ele fez muito pela cidade, mesmo em sua falta de preparo técnico e com os seus defeitos. Mas, é muito pouco ver que um prefeito que morreu há quase 20 anos não teve os seus feitos superados. Ver que ele teve muito mais visão que advogados, empresários, médicos e etc. Pra que estão servindo os diplomas universitários destes políticos que pensam tão pouco? Du, essa carta é para inspirar a você, ao Pedro, ao seu irmão, e aos demais políticos desta cidade.
Alexandre Marques | Jornalista e Teológo
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