A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu um passo crucial para a autonomia da saúde pública brasileira ao concluir a transferência de tecnologia para a produção nacional do dolutegravir, o antiretroviral mais importante no tratamento do HIV. Distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento é essencial para a vida de mais de 770 mil brasileiros, marcando um avanço significativo na capacidade produtiva do país.
Este marco é resultado de um contrato assinado em 2020 entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e a biofarmacêutica GSK, detentora da ViiV Healthcare, desenvolvedora do fármaco. Desde então, Farmanguinhos investiu em adaptação fabril, aquisição de equipamentos e capacitação profissional, um esforço contínuo para internalizar a produção e reduzir a dependência externa. A nacionalização garante não apenas o fornecimento contínuo, mas também uma potencial economia para os cofres públicos.
A etapa final de estruturação técnica, regulatória e operacional foi concluída, e o início da distribuição ao SUS agora depende apenas da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Três lotes do dolutegravir já foram validados pelo instituto, prontos para chegar aos pacientes. Além disso, a Fiocruz planeja internalizar, no próximo ano, a produção da versão combinada do dolutegravir com lamivudina, ampliando ainda mais a oferta de tratamentos essenciais.
Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2019 como opção preferencial, o dolutegravir é valorizado por sua alta eficácia em inibir a replicação viral, reduzindo a carga viral a níveis indetectáveis e prevenindo a progressão da AIDS, com poucos efeitos colaterais. Sua produção nacional representa um avanço estratégico na luta contra o HIV, reforçando o compromisso do SUS com a saúde dos cidadãos.
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