Todos os anos, cerca de cinco mil crianças no Brasil nascem com fissura labiopalatina, uma incidência alarmante de um caso para cada 650 nascimentos. Esta malformação craniofacial congênita, a mais frequente no país, exige acompanhamento especializado desde cedo. Em 24 de junho, o Dia Nacional de Conscientização reforça a urgência do diagnóstico precoce e do tratamento multidisciplinar, combatendo o estigma associado à condição.
A condição resulta do desenvolvimento incompleto do lábio, do céu da boca ou de ambos durante a gestação. Não é apenas estética; impacta diretamente a alimentação, a fala, a audição, o desenvolvimento dentário e a respiração, gerando repercussões emocionais e sociais duradouras na vida do indivíduo e de sua família. Embora a causa específica não esteja totalmente estabelecida, casos podem estar ligados a síndromes ou fatores hereditários, exigindo uma abordagem compreensiva.
Um pilar crucial para o tratamento no país é o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP (HRAC-USP), o Centrinho, em Bauru (SP). Fundado em 24 de junho de 1967, a mesma data da conscientização, tornou-se referência nacional e mundial. Seu diferencial é o tratamento integral e prolongado, que acompanha o paciente por anos, desde as cirurgias reparadoras até a reabilitação funcional completa, com equipes de fonoaudiologia, odontologia, psicologia, pediatria e otorrinolaringologia.
Apesar dos avanços e da possibilidade de diagnóstico pré-natal via ultrassonografia, o acesso a esse tratamento especializado é desigual. Enquanto regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste contam com mais facilidade, Norte e Nordeste enfrentam limitações severas. A jornada de Thyago Cézar, que, nascido em 1986, recebeu tratamento no Centrinho e hoje é advogado, é um testemunho da transformação possível com dedicação e apoio.
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