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FMI Desvenda o Impacto do Bolsa Família: A Complexa Relação entre Maternidade e Participação Feminina no Mercado de Trabalho

© Elza Fiuza/Agência Brasil

Um recente estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) trouxe luz sobre o impacto do programa Bolsa Família na participação feminina no mercado de trabalho brasileiro. Contrariando algumas percepções, a pesquisa revela que o benefício governamental, por si só, não afasta as mulheres da força de trabalho, apresentando um cenário mais complexo e com particularidades importantes que merecem atenção por parte de formuladores de políticas públicas e da sociedade.

O Papel Nuanceado do Bolsa Família e a Realidade das Mães

A análise aprofundada do FMI aponta que, de forma geral, o Bolsa Família não diminui o engajamento das mulheres nas atividades remuneradas. No entanto, uma exceção significativa foi identificada: mães com filhos de até seis anos de idade. Para este grupo, o estudo demonstra uma menor presença no mercado de trabalho, o que é atribuído, principalmente, às exigências do ambiente doméstico, que impõem sobre essas mulheres uma maior carga de responsabilidades ligadas à casa e ao cuidado familiar.

A Desigualdade de Gênero na Divisão do Trabalho Não Remunerado

Aprofundando a compreensão dessa dinâmica, o estudo ressalta a persistente disparidade de gênero no que tange ao trabalho não remunerado. A pesquisa do FMI indica que mulheres dedicam, em média, dez horas a mais por semana a tarefas domésticas e cuidados familiares do que os homens. Essa sobrecarga de afazeres não remunerados é um fator crucial que limita a disponibilidade e a capacidade das mulheres, especialmente daquelas com crianças pequenas, de se inserirem ou de permanecerem ativamente no mercado de trabalho formal.

O Impulso Feminino na Economia e na Gestão Domiciliar

Apesar dos desafios, a pesquisa do FMI enfatiza a contribuição inestimável das mulheres tanto na esfera social quanto econômica do país. Elas não apenas são protagonistas na administração dos recursos do Bolsa Família – quase 85% das famílias beneficiárias são chefiadas por mulheres, que gerenciam a entrada e destinação do dinheiro –, mas sua presença ativa na força de trabalho é igualmente vital para o crescimento nacional. O estudo projeta que, ao reduzir a diferença de participação entre homens e mulheres no mercado de trabalho em dez pontos percentuais (de 20% para 10%), o Brasil poderia experimentar um aumento de meio ponto percentual no seu crescimento econômico até 2033, sublinhando o imenso potencial ainda inexplorado.

Soluções Estruturais para a Inclusão e Empoderamento Feminino

Diante do cenário, a pesquisa do FMI aponta que a presença de filhos pequenos é o principal catalisador para a saída de mulheres do mercado de trabalho, com aproximadamente metade delas deixando de trabalhar em até dois anos após o nascimento do primeiro filho. Para reverter essa tendência e promover uma inclusão mais equitativa, o estudo sugere intervenções políticas estratégicas. Entre as recomendações estão a ampliação do acesso a creches e outras formas de cuidado infantil, que liberariam as mães para suas atividades profissionais. Além disso, é crucial incentivar o trabalho remunerado feminino e implementar medidas eficazes para resolver as persistentes diferenças salariais entre homens e mulheres, garantindo não apenas acesso, mas também equidade e valorização no ambiente profissional.

Em suma, o levantamento do FMI oferece uma visão matizada sobre a interação entre políticas de assistência social, como o Bolsa Família, e a dinâmica da participação feminina no mercado de trabalho. Ele reforça a necessidade de se olhar para além dos benefícios diretos, abordando as barreiras estruturais, especialmente as ligadas à maternidade e à divisão desigual do trabalho doméstico. Ao focar em soluções que promovem o apoio à família e a equidade de gênero, o Brasil pode não apenas empoderar suas mulheres, mas também desbloquear um significativo potencial de crescimento econômico e desenvolvimento social.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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