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Justiça determina paralisação de mina da Vale em Ouro Preto até comprovação de segurança

As atividades da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, permanecem suspensas por determinação da Justiça até que a mineradora comprove a estabilidade e a segurança de todas as estruturas do empreendimento. A decisão foi tomada após o extravasamento de uma cava utilizada para disposição temporária de rejeitos e acúmulo de água.

A medida foi determinada pela juíza Mônica Silveira Vieira, da 5ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte. Em caso de descumprimento, a Vale poderá ser multada em R$ 100 mil por dia, com limite de R$ 10 milhões.

A paralisação foi estabelecida no âmbito de uma Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pelo Governo de Minas Gerais, após o rompimento de uma estrutura associada à Cava Área 18, na Mina de Fábrica. Segundo os autores da ação, houve um “extravasamento abrupto e descontrolado” de material líquido e sólido, em volume significativo, evidenciando falhas graves no manejo hídrico e nos sistemas de contenção.

Omissão e riscos ambientais

Na ACP, o MPMG e o Estado também apontaram omissão por parte da mineradora na identificação e comunicação imediata do incidente, uma vez que o acionamento oficial das autoridades teria ocorrido somente após mais de 10 horas.

Ao fundamentar a decisão, a magistrada relembrou os desastres de Fundão, em Mariana (2015), e da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (2019), ambos envolvendo a Vale e resultando em mortes e severos impactos socioambientais.

“Os documentos técnicos anexados comprovam a urgência de medidas consistentes, tanto na paralisação das atividades quanto na mitigação dos efeitos do rompimento e no monitoramento das consequências, uma vez que há registro de extravasamento predominantemente de água pluvial com sedimentos, sem afastar a hipótese de contaminação pontual e de contaminação secundária por remobilização de material particulado e solos expostos”, afirmou a juíza.

Posicionamento da Vale

Em nota, a Vale informou que as operações no Complexo Minerário de Fábrica foram suspensas em 26 de janeiro, conforme comunicado enviado ao mercado na mesma data. A empresa reiterou seu compromisso com a segurança das pessoas e das operações e afirmou que suas barragens na região mantêm condições de estabilidade e segurança inalteradas, com monitoramento realizado 24 horas por dia.

A mineradora também declarou que irá se manifestar nos autos, colaborando com as autoridades competentes e prestando todos os esclarecimentos necessários.

Outras medidas judiciais

Além da paralisação das atividades, outras medidas vêm sendo adotadas contra a Vale. Na semana passada, o MPMG e o Governo de Minas ingressaram com nova ação civil pública solicitando o bloqueio cautelar de R$ 846 milhões em bens da empresa, valor destinado à reparação de danos materiais estimados em R$ 282,2 milhões.

Dois dias antes, o Ministério Público Federal (MPF) já havia solicitado à Justiça Federal o bloqueio de R$ 1,2 bilhão da mineradora, em duas ações distintas, sob a alegação de falhas no controle das estruturas de contenção de efluentes da mina.

Além disso, a Prefeitura de Congonhas determinou a suspensão dos alvarás de funcionamento da Vale no município.

Fonte: Hoje em Dia (portal@hojeemdia.com.br)

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