A Fundação do Câncer emitiu um alerta crucial: nem todo melanoma se manifesta na pele. Um estudo recente da instituição revela que a doença, originada nas células produtoras de melanina (melanócitos), pode surgir em olhos, mucosas e até em órgãos internos. Essa forma extracutânea, embora menos comum, é considerada mais agressiva e letal, com um maior potencial de metástase para tecidos vizinhos.
A 12ª edição do boletim “Melanoma: nem sempre na pele” enfatiza a importância vital do conhecimento. Segundo a fundação, entender profundamente a doença é essencial não apenas para sua prevenção e diagnóstico precoce, mas também para orientar a formulação de políticas públicas eficazes, capazes de salvar vidas e aprimorar os serviços de saúde no país.
Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, reforça a urgência do diagnóstico e tratamento oportunos, pilares fundamentais para a cura. No Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia da lesão primária é o principal tratamento inicial para melanoma de pele, representando 84,7% dos procedimentos entre 2014 e 2023. Contudo, o estudo aponta disparidades regionais e “gargalos de acesso”, como a necessidade de deslocamento para tratamento oncológico observada no Centro-Oeste, evidenciando desafios na assistência especializada.
Apesar da revolução dos imunoterápicos anti-PD-1 (nivolumabe e pembrolizumabe), que elevaram a taxa de resposta clínica em melanoma avançado de menos de 10% para até 70%, o coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, alerta: há escassez de evidências sobre a efetividade dessas terapias especificamente para o melanoma extracutâneo, um desafio persistente na oncologia.
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