Cerca de R$ 600 milhões devem ser investidos em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação até o fim de 2026 em Minas. A maior parte dos recursos chega ao mercado por meio de editais e programas voltados a empresas, startups, pesquisadores, com oportunidades que vão da contratação de profissionais especializados ao desenvolvimento de novos produtos e processos.
Para quem nunca acessou esse tipo de financiamento, porém, o primeiro passo não é simplesmente procurar um edital. Diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT, Janayna Bhering afirma que o negócio precisa primeiro definir onde pretende chegar e quais investimentos serão necessários.
“O edital não tem que ser o ponto de partida. O mais importante é que a empresa tenha um planejamento do seu crescimento”, explica. A recomendação é antecipar necessidades como contratação de profissionais, compra de equipamentos ou serviços e desenvolvimento de novas soluções para que, quando surgir uma oportunidade compatível, o projeto já esteja estruturado”, afirma a diretora da Órbi ICT, que atua como ponte entre empresas e instituições de fomento.
Inovação vai além da tecnologia
Janayna destaca que inovação não é exclusividade de startups de tecnologia. Indústrias, empresas do agronegócio, construção civil, software e outros setores também podem encontrar oportunidades caso tenham projetos de novos produtos, processos ou aprimoramentos capazes de aumentar a competitividade.
Um dos principais cuidados está na leitura completa do edital. É ali que aparecem o público habilitado, despesas permitidas, valores, contrapartidas e critérios de avaliação. Segundo a especialista, até um projeto tecnicamente bom pode ser eliminado se pedir um valor incompatível com a capacidade da empresa, apresentar uma equipe inadequada ou deixar de cumprir alguma exigência.
Concorrência aumentou
O cenário em que parte dos recursos destinados à inovação não chegava a ser utilizada mudou nos últimos anos, segundo Janayna. Ela afirma que, há cerca de três anos, havia verba que retornava aos cofres públicos devido à baixa qualidade de projetos apresentados ou porque muitas empresas desconheciam a existência dos editais.
Com a ampliação da divulgação, o cenário mudou. Segundo Janayna, os últimos números apontam uma demanda dez vezes superior aos recursos disponíveis, considerando os âmbitos estadual e federal. “Antes sobrava dinheiro. Agora falta recurso em função do volume de empresas que já consegue ter acesso a essa possibilidade”, diz.
Chamadas estão abertas
Levantamento feito pelo Hoje em Dia só junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) identificou sete chamadas abertas, com públicos e objetivos distintos. Dentre as opções, o Pesquisador na Empresa, que disponibiliza R$ 5 milhões para inserir pesquisadores em empresas, startups e cooperativas mineiras e fortalecer projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. O prazo termina neste segunda-feira (24).
Também estão disponíveis o Eventech, de R$ 3 milhões, destinado à realização de eventos de empreendedorismo tecnológico e inovação; o Cientista Empreendedor, com R$ 10 milhões para transformar pesquisas em novos negócios; e chamadas específicas para laboratórios, pesquisadores da Epamig e participação ou organização de eventos científicos. Os prazos variam entre agosto e dezembro.
A página da Fapemig também reúne oportunidades de fluxo contínuo, mas isso não significa necessariamente linhas de financiamento permanentes para empresas. Parte delas corresponde a cadastramentos e credenciamentos institucionais, como o registro de instituições junto à fundação e programas destinados a Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), fundações de apoio e bolsas de iniciação científica.
Compete Minas pode ter nova edição
Outro programa que deve entrar no radar das empresas é o Compete Minas, que financia projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação de empresas e cooperativas com atuação no Estado. Segundo Janayna, há expectativa de que uma nova chamada do Compete Minas seja lançada entre setembro e outubro. Segundo a especialista, os recursos nesse edital podem chegar a R$ 4 milhões.
“É importante que as empresas já comecem a se preparar agora: quais projetos vão desenvolver ainda este ano ou no próximo, quanto precisam e para que precisam desse recurso”, orienta.
O Estado também conta com o Novo Seed, que destina R$ 15 milhões para fortalecer programas de aceleração de startups em diferentes regiões mineiras. Os chamados Ambientes Promotores de Inovação podem receber até R$ 1,85 milhão para conduzir os programas, que preveem apoio de até R$ 100 mil por startup, além de mentorias, capacitações e conexão com investidores.
Aprovação também dá credibilidade
Além do recurso financeiro, a aprovação em um edital pode ajudar empresas pequenas a ganhar espaço no mercado. Segundo Janayna, passar por uma banca de avaliação funciona como uma chancela sobre aspectos como potencial de mercado, viabilidade e inovação. “O recurso financeiro é um grande ganho. O outro é a chancela”, afirma.
No painel realizado no Órbi ICT, a CEO da IViJur, Marcela Carvalho, relatou experiência semelhante. A startup utiliza inteligência artificial para tornar a linguagem jurídica mais acessível e, após vencer um edital do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ganhou validação para a tecnologia desenvolvida.
Outro exemplo é o de Mateus Junqueira, criador do Licor Gran Arthurium, que já captou recursos por meio de programas de fomento e participou do Compete Minas e do Seed.
Para quem ainda não sabe por onde começar, a recomendação é acompanhar os canais das instituições de fomento e buscar apoio especializado quando necessário.
Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
