A representação feminina no Congresso Nacional alcançará sua maior marca histórica na próxima legislatura, impulsionando debates sobre equidade e participação política no Brasil. Na Câmara dos Deputados, o número de mulheres eleitas saltou de 90 para 109, um expressivo aumento de 21%. Esse avanço ocorre, paradoxalmente, mesmo com uma diminuição de 24% no total de candidaturas femininas em comparação com o pleito anterior, refletindo uma maior eficácia eleitoral das concorrentes.
No Senado Federal, o cenário também é de crescimento. Doze mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa, o maior número desde a redemocratização do país. Com isso, a bancada feminina na Casa passará dos atuais quinze para dezoito integrantes, totalizando 22,2% das 81 cadeiras. Apesar desses incrementos, a equidade ainda é uma meta distante, com as mulheres permanecendo minoria em ambas as Casas, questionando a plenitude da representatividade nacional.
Apesar do aumento numérico, a influência em pautas femininas não é automática. A professora Flávia Biroli, da Universidade de Brasília, alerta que a diversidade de pensamento entre as parlamentares pode resultar em defesas de perspectivas não igualitárias. O levantamento 'Mulheres Negras Decidem' aponta um crescimento significativo de deputadas federais negras, de 9 para 15, um avanço de 66,6%. Contudo, o Senado não elegeu nenhuma mulher negra neste ano, marcando uma perda histórica e a ausência de vozes fundamentais.
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