Ouro Preto, Patrimônio Mundial da Humanidade, revela sob suas ruas e casarios coloniais uma rede de 2.204 minas antigas, catalogadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Essa vasta herança da corrida do ouro do século XVII redefine o planejamento urbano, pois mapas de risco municipais tornaram-se ferramentas cruciais na aprovação de novas construções, unindo memória histórica e segurança contemporânea.
O perigo dessas galerias não é isolado, mas resulta da interação com o relevo acidentado, encostas íngremes e a expansão urbana. Estudos do Iphan já ligaram desmoronamentos a ocorrências de erosão e danos em edificações próximas dessas estruturas subterrâneas. Em resposta, o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de 2023 identificou 184 setores de risco, classificados entre médio e muito alto, fruto de uma colaboração entre universidades e órgãos de Defesa Civil.
Este mapeamento impacta diretamente o desenvolvimento urbano. Uma portaria municipal de 2023 integra o PMRR na análise de projetos, emissão de alvarás e do “habite-se”, condicionando obras a avaliações de segurança e exigindo intervenções. É crucial notar que este controle de risco geotécnico atua em paralelo às normas de preservação patrimonial (UNESCO e Iphan). São camadas distintas, mas complementares, que regulam o uso e desenvolvimento da cidade histórica.
Além da gestão de riscos, a própria história subterrânea de Ouro Preto virou atração. A Mina do Bijoca, por exemplo, oferece ao público percursos guiados que revelam a engenhosidade da mineração colonial e seus artefatos. Essa iniciativa humaniza o complexo desafio do subsolo, transformando um elemento de risco em parte da rica narrativa de Ouro Preto, onde o passado mineral e o presente urbano se encontram sob os pés de moradores e visitantes.
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