Madri vive seu terceiro dia de intensos protestos, com manifestantes acampados em frente à sede do governo regional. Impulsionado pelo despejo de uma idosa, o movimento exige maior proteção aos inquilinos e uma resposta urgente à crescente escassez de moradias e ao aumento vertiginoso dos aluguéis na capital espanhola. A mobilização reflete profunda preocupação social.
O estopim da indignação foi o recente despejo de Maricarmen Abascal, 87 anos. Residente há mais de sete décadas, ela foi removida por ordem de um fundo de investimento que adquiriu seu apartamento. Este caso expõe a vulnerabilidade de idosos à especulação imobiliária e à precarização do direito à moradia digna.
Centenas confrontaram a polícia e cerca de 30 mil pessoas marcharam no último sábado (26). A icônica Puerta del Sol, palco de históricos protestos dos "Indignados" em 2011, voltou a ser ocupada por barracas, simbolizando a persistência da luta. O governo central de esquerda condenou a inação da gestão regional de centro-direita para impedir o despejo.
A crise habitacional, porém, transcende casos individuais. Jovens espanhóis enfrentam dificuldades para sair da casa dos pais devido aos aluguéis proibitivos. O Sindicato dos Inquilinos coordena protestos nacionais, pressionando por mudanças estruturais. Em resposta à mobilização, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou um decreto sobre moradia, visando aliviar inquilinos, cujos aluguéis dobraram na última década, superando os salários.
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