Em discurso na ONU, Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos, rechaçou qualquer iniciativa de governança global da Inteligência Artificial (IA), defendendo a liderança dos EUA e a ausência de limites ao desenvolvimento. Sua postura alinha-se à visão de que a nação que dominar a IA será a “vencedora” da nova era, contrastando com o crescente apelo por cooperação internacional para um avanço ético e seguro.
Essa abordagem unilateral colide com propostas de multilateralismo, como a chinesa de sistemas de código aberto. Ettore Arpini, especialista em governança de IA, alerta que a rejeição à regulação pode deixar empresas sem controle, dificultando padrões e salvaguardas sociais globais. O debate evidencia uma profunda disputa geopolítica sobre o futuro e o impacto da tecnologia.
Internamente, a visão de Trump também encontra ressalvas. Líderes da indústria nos EUA já manifestaram preocupação, pedindo uma desaceleração no avanço da IA, temendo que a tecnologia supere os controles de segurança. Economistas, incluindo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), alertam para uma possível “bolha” no setor, com investimentos elevados e retornos incertos, capazes de gerar instabilidade financeira global.
Trump também propôs renomear a tecnologia para “superinteligência”, alegando que “artificial” soa falso. Arpini e o cientista Miguel Nicolelis criticam a ideia, vendo nela um viés político e de marketing para reforçar a supremacia dos EUA. Para os analistas, o crucial é focar nas capacidades reais, autonomia e consequências sociais dos sistemas, e não em terminologias que podem confundir o público.
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