A artista visual congonhense Walla Capelobo, aos 34 anos, consolida-se no cenário artístico global, levando as complexas relações de sua terra natal para exposições no Brasil e no exterior. Radicada em Berlim, Alemanha, Walla transita por temas como memória, natureza, paisagem, mineração e extinção, com obras já vistas na Bienal de Gwangju (Coreia do Sul) e no Instituto Inhotim (MG).
A infância e a vivência em Congonhas são pilares fundamentais para a produção de Capelobo. As montanhas, a vegetação e até o solo do quintal de seus pais servem como referências para construções de mundos e possibilidades. A artista se inspira na rica tradição cultural da cidade, como a Sala dos Milagres do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, patrimônio da humanidade. Essa conexão se aprofunda ao abordar a mineração, uma realidade intrínseca à região. Crescer próxima a uma barragem de rejeitos moldou sua percepção sobre a delicada relação entre a natureza, a cidade e a atividade extrativista, questões de relevância crucial para Minas Gerais e todo o Brasil.
Em seus trabalhos, Walla Capelobo explora a memória como ferramenta de resistência contra o esquecimento e a extinção. A obra "Suficientemente grande para cruzar todo o planeta", apresentada em 2026 na Bienal de Gwangju, por exemplo, destaca a "congonha", planta ameaçada do Cerrado mineiro, e interliga território, minério de ferro e fluxos globais da mineração, demonstrando como questões locais de Congonhas podem dialogar e reverberar mundialmente. Já em "12 fantasmas", exibida também em 2026 no Inhotim, a artista foca nos animais ameaçados pela expansão minerária, convidando à reflexão sobre o valor das espécies e a importância de imaginar futuros alternativos para a convivência entre sociedade e ambiente.
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