O setor de seguros e previdência privada aberta no Brasil revela um paradoxo persistente: as mulheres, embora representem a maioria da força de trabalho, ainda são minoria nos postos de comando e na contratação de produtos. Essa constatação é o cerne da primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão regulador do mercado, acendendo um alerta sobre a desigualdade de gênero neste importante segmento econômico.
O levantamento, que analisou dados de 142 empresas, aponta que 54,4% da força de trabalho é feminina. Contudo, essa representatividade despenca drasticamente na hierarquia: mulheres ocupam apenas 28,5% dos cargos de gestão executiva e míseros 18,5% das vagas em conselhos de administração. Esse cenário de “teto de vidro” não é exclusivo do setor securitário, ecoando desafios similares em outras áreas da economia brasileira, como na produção rural e em diversos segmentos corporativos, onde a liderança feminina ainda luta por espaço.
A pesquisa da Susep também sublinha que a participação feminina como titular de seguros e planos de previdência é inferior à dos homens, indicando uma barreira tanto no acesso à carreira quanto ao consumo de produtos essenciais para a segurança financeira. A iniciativa da Susep, que integra seu Plano de Regulação para 2025 e conta com a metodologia da Access to Insurance Initiative, é um passo crucial para mapear essas disparidades. O objetivo é subsidiar a criação de políticas públicas eficazes, promovendo um mercado mais inclusivo, justo e representativo para mulheres, tanto como profissionais quanto como consumidoras.
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