Nos bastidores do Congresso Nacional, a indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) é tratada como um desfecho praticamente sacramentado. O movimento, costurado diretamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dispõe do respaldo do Palácio do Planalto e de ministros da própria Suprema Corte.
Acordo prevê sabatina ágil no Senado
O roteiro traçado pelos interlocutores estabelece o encaminhamento formal do nome pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo de novembro. Tão logo a indicação chegue à Casa, Alcolumbre assumirá a missão de pautar a sabatina com rapidez e trabalhar pela aprovação do aliado.
O avanço das tratativas independe do desfecho do segundo turno da disputa presidencial, marcado para o domingo (25). Mesmo diante de um revés nas urnas, Lula segue no exercício do mandato até 5 de janeiro, mantendo as prerrogativas constitucionais para a escolha de membros do Judiciário.
Vaga aberta após veto a Jorge Messias
A cadeira em disputa permanece desocupada desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, ocorrida em novembro do ano passado. Anteriormente, o Palácio do Planalto tentou emplacar o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas o nome acabou rejeitado pelo plenário do Senado em abril — episódio que evidenciou a força da bancada e o protagonismo de Alcolumbre na validação das indicações.
Passagem pelo TCU foi etapa estratégica
Atualmente, Pacheco atua como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), posto para o qual foi indicado em setembro com expressivo apoio político: foram 63 votos a favor no Senado e 404 na Câmara dos Deputados. A transferência para a corte de contas, contudo, nunca afastou o projeto de conduzir o ex-senador mineiro ao STF.
Para consumar o ingresso no tribunal constitucional, o indicado ainda terá de enfrentar a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e conquistar o aval de ao menos 41 dos 81 senadores em votação secreta no plenário.
