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Mariana 11 anos: a luta por justiça após tragédia em MG

A Dor Ainda É Combustível Para Que A Realidade Seja Justiça

A luta das comunidades afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, completa 11 anos marcada pela resiliência e pela exigência de direitos. O desastre, ocorrido em 5 de novembro de 2015, liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e provocou destruição ambiental e humana ao longo de mais de 600 quilômetros.

H2: Organização popular e o papel da CABF A dor da perda e a indignação diante da lentidão do processo não paralisaram os moradores. Pelo contrário, impulsionaram a criação e o fortalecimento da Comissão de Atingidos e Atingidas pela Barragem de Fundão (CABF), principal espaço de articulação coletiva.

“Dignidade e honestidade. Eu não me corrompi em momento algum, eu não fraquejei em momento algum. Eu fui humilhado, fui excluído em muitos momentos, mas, todo tempo eu deixei como aliado meu o tempo” – Marino D’Ângelo, membro da CABF

H2: Críticas ao Acordo do Rio Doce Homologado em 2024, o Acordo do Rio Doce tornou-se o principal instrumento de reparação, mas enfrenta fortes críticas locais. As comunidades apontam que o texto encerrou direitos estabelecidos, repetiu violações e ignorou o protagonismo dos atingidos.

“Isso é um crime continuado, então até as ações de reparação acabam produzindo algum dano também” – Mirella Lino, membro da CABF.

H2: O desafio das Assessorias Técnicas Independentes As Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) surgem para equilibrar essa disputa desigual, fornecendo apoio técnico qualificado. Contudo, o novo acordo limitou a atuação das assessorias no caso Fundão a 42 meses, enquanto as medidas de reparação se estendem por até duas décadas.

“Se a proposta de reparação prevê um horizonte de 20 anos, é justo e necessário que a Assessoria Técnica seja garantida pelo mesmo período. Não é razoável imaginar que as comunidades enfrentem duas décadas de processos complexos sem o suporte técnico necessário para compreender, acompanhar e fiscalizar cada etapa da reparação” – Mônica dos Santos, membro da CABF.

H3: Década de atuação da Cáritas/MG Em meio às disputas, 2026 marca os 10 anos de atuação da Cáritas/MG como ATI em Mariana. O suporte diário tem sido fundamental para preservar a memória, fortalecer vínculos comunitários e garantir que os atingidos participem ativamente das decisões.

“Eu vi que não só eu mas várias outras pessoas estavam sendo injustiçadas. E aí eu resolvi entrar na luta. Quando eu entro na luta eu não desisto, eu vou até o final” – Mauro Silva, membro da CABF

Entre a memória do que foi destruído e a resistência diária contra novas violações, a mobilização popular continua sendo a única via para alcançar uma reparação justa e verdadeira para o povo mineiro.

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