A Câmara dos Deputados será palco, em 17 de novembro, de uma audiência pública crucial para debater a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV). A iniciativa, liderada pela deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), atende a uma demanda histórica dos povos originários, que há mais de uma década clamam por um instrumento capaz de investigar as graves violações de direitos humanos sofridas, especialmente durante a ditadura militar.
A necessidade da CNIV surge da insuficiência da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que, apesar de reconhecida, dedicou espaço limitado à experiência indígena, abordando apenas dez povos e estimando 8.350 assassinatos entre 1964 e 1985. A nova comissão visa aprofundar a apuração, responsabilizando o Estado por crimes como escravização, estupros, torturas, remoções territoriais e destruição cultural, muitos perpetrados por órgãos como o antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e, posteriormente, a Funai.
A audiência, aprovada pelo Requerimento nº 86/2026 na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, contará com lideranças indígenas, representantes do sistema de Justiça e pesquisadores. O jornalista Marcelo Zelic, falecido em 2023 e figura incansável nesta luta, já havia criticado a versão inicial do relatório da CNV, defendendo uma apuração mais robusta e a criação de uma Rede de Comissões da Verdade Indígena. O objetivo é que a CNIV não apenas documente, mas também abra caminho para processos de responsabilização e reparação integral.
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