Por Alexandre Marques
Ter quarenta e dois anos de idade nós dá alguns privilégios que os mais novos até vão ter, que são as lembranças do que passou. Mesmo que não sejam as mesmas, mas, serão lembranças. Quando era pequeno, acreditem, já fui pequeno um dia, a minha mãe tinha uma coleção de revistas “Julia”, eram romances. Um dia ela inventou de dar fim a elas, de uma forma bem peculiar, vendendo os exemplares no lugar mais movimentado da cidade, na época, a rodoviária.
Só que tinha um problema, ela nunca gostou de sair de casa, a não ser para trabalhar. E, na época, ela estava com depressão. Sabe quem ela enviou para vender essas revistas na rodoviária? Os filhos. Até então, ela tinha apenas dois filhos, o terceiro nasceria anos depois. Era final dos anos 80 e início dos anos 90. A rodoviária não era onde ela se encontra atualmente, ela era aonde se encontra a atual prefeitura.
Lembro-me de que ela colocar as revistas dentro de um malão (uma espécie de baú) que tínhamos de 150 x 80, vermelho, forrado por dentro com duas alças de metal. Ele estava lotado, literalmente, com todas as revistas que a minha mãe juntou por anos e anos, de leitura. Ela nos deu a missão de vender e ficaríamos com todo o dinheiro, o que nos fez crescer os olhos.
Apesar de não ser de madeira maciça como o baú de jacarandá que temos até hoje, estava realmente pesado levar aquele baú com as revistas. Levamos, em um dia com sol quente e constatamos ali, naquele dia, que éramos dois péssimos vendedores. Não vendemos uma revista sequer. Imagine, ninguém comprar uma revista sequer umas duas crianças trabalhando na rodoviária, era porque éramos péssimos vendedores.
Sinto saudades desse tempo que não volta mais. Os anos passaram, a rodoviária foi desativada e transferida, no ano de 1993, para onde funciona atualmente. A estrutura foi aproveitada e transformada na nova Prefeitura, inaugurada também naquela época (1996). O prédio já tem 30 anos de uso. E quando olhamos para ele, hoje, sentimos vergonha do que se tornou. Virou abrigo de cães e pombos, a estrutura enferrujada, os vidros quebrados, os banheiros, então, podres.
Está tão abandonado, mesmo com a administração do município ali instalada, como a rodoviária e o túnel que passa por baixo da rodovia, um verdadeiro caos. Em relação ao túnel, as pessoas preferem arriscar suas vidas ao atravessar a rodovia com veículos em alta velocidade, do que passar pelo túnel, com risco de ser atacado por um estranho. Uma cidade que nasceu projetada e que as últimas obras de João Ramos, como prefeito, também demonstraram que foram projetadas.
É uma cidade que precisa que seus governantes deem a sua devida atenção. Há muito tempo está desse jeito, mal cuidada, dá sinais de abandono. Principalmente, os seus principais prédios. Estamos falando da Prefeitura que, de acordo com a própria atual gestão, será reformada e transferida provisoriamente para o antigo prédio da Policlínica na Colina. A rodoviária ensaiou uma reforma que não atendeu as expectativas da população.
A cidade precisa de muita coisa, e cada um destes pontos serão destacados nos próximos textos. É um chamado à reflexão e não um ataque. Por mais que a administração municipal tem grande parcela nestas reclamações, quem nós elegeremos para deputados terão também responsabilidade nisso. Entendemos que quando o município não tiver recursos são estas pessoas que terão de resolver os problemas para a cidade.
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