O senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), necessitou de cuidados médicos na quinta-feira (15) logo após realizar um discurso carregado de críticas e ir às lágrimas na tribuna do Senado Federal. O mal-estar esteve associado à tensão política com o atual chefe do Executivo mineiro, Mateus Simões (PSD).
Atendimento médico e avaliação clínica
Após o episódio de nervosismo no plenário, a equipe do parlamentar informou inicialmente que ele havia sido transferido para um hospital devido a um pico hipertensivo e taquicardia. Posteriormente, o serviço de saúde do próprio Congresso esclareceu o procedimento adotado.
De acordo com nota da assessoria do Senado, “Ao passar por avaliação, o Parlamentar foi diagnosticado com pico de pressão arterial e frequência cardíaca um pouco elevada. Entretanto, após a realização de exames de eletrocardiograma e enzimas cardíacas, com resultados normais, medicação, hidratação e consequente melhora do quadro clínico, o parlamentar foi liberado em bom estado, com orientação de repouso”.
Atritos e cobranças no processo de transição
Durante sua manifestação, o senador fez alertas enfáticos sobre a postura de Simões na fase de troca de comando e insinuou tentativas de aprovação de matérias de última hora na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG).
“Eu espero que você não faça sacanagem comigo, com todo respeito, porque sacanagem comigo não é comigo. Você está fazendo sacanagem com o povo”, afirmou. Em outro momento, ele enfatizou: “Lá na Assembleia eu tenho amigos, e lá todo dia chega mensagem pra mim. ‘O Mateus tá querendo fazer isso, Cleitinho’. Que amor é esse pelo estado? Que preparo é esse pelo estado?”.
Ao abordar comentários feitos durante a disputa eleitoral — vencida por Cleitinho em primeiro turno com 55,4% dos votos, enquanto Simões ficou na quarta posição —, o senador rebateu os questionamentos sobre sua capacidade técnica: “Não sou intelectual. Preparo não é só o diploma. Preparo é sabedoria, é humildade. Tá faltando pra você”.
O futuro governador ainda relembrou conversas do período pós-pleito: “Você tava na transição chorando, dizendo ‘eu tô com medo de quem vai pegar o estado’”. Cleitinho declarou ter buscado uma reunião direta com o adversário, sem sucesso fora das reuniões protocolares da transição: “Você está fazendo isso por conta de vaidade. Não faça isso. Pensa no povo mineiro.”
Déficit orçamentário e revisão de contratos
O senador também direcionou ataques à divulgação de dados fiscais pela Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), que alertou para a probabilidade de atrasos salariais no funcionalismo em janeiro de 2027. Para Cleitinho, a realidade das contas públicas mineiras foi ocultada do eleitorado.
“Até então o estado estava mil maravilhas. Agora, a partir de 1º de janeiro, o estado quebrou. (…) “Vocês reclamaram do PT durante oito anos. E vocês estão deixando o estado da mesma maneira que o PT deixou”, disse.
A previsão orçamentária do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 passou a estimar um rombo de R$ 10,5 bilhões, montante bem superior aos R$ 8,9 bilhões calculados em setembro e quase o dobro do déficit previsto para 2026, de R$ 5,22 bilhões. Em resposta ao cenário econômico, o governador eleito prometeu varredura em órgãos públicos: “A gente vai rever tudo, mas tudo que precisar dentro do Estado, pra gente mostrar transparência”, indicando auditorias inclusive na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Diferença salarial e prerrogativas do cargo
Ao destacar a mudança de rotina que enfrentará a partir da posse, o parlamentar fez uma menção financeira sobre a nova função: “Eu virei governador, eu vou ganhar R$ 40 mil por mês, com escolta. Então a minha vida melhorou, eu tenho que fazer a vida do povo melhorar”.
Na prática
