A cidade de Serra, no Espírito Santo, abriga agora a primeira linha industrial do mundo qualificada para aplicar comercialmente sistemas de resina Proxxima combinados à tecnologia GDLX em dutos submarinos. O projeto pioneiro é liderado pela Vallourec e tem como foco atender demandas de exploração offshore em águas profundas, tanto no território nacional quanto no mercado internacional.
Inovação em revestimento térmico para o fundo do mar
Desenvolvida originalmente pela ExxonMobil nos Estados Unidos, a solução chegou ao país por meio de um acordo de licenciamento que tornou a companhia a primeira autorizada a industrializar tal tecnologia. A inovação não está no tubo em si, mas sim no revestimento térmico externo aplicado sobre as linhas de aço para minimizar a perda de temperatura dos fluidos durante o transporte entre o leito marinho e as plataformas.
Essa proteção é indispensável em ambientes de grande profundidade, onde a água gelada pode alterar o escoamento do petróleo e do gás. Com o novo método, a indústria consegue ampliar o tempo em que o fluido permanece em condições adequadas após interrupções, facilitando a retomada das operações sem a necessidade de manobras complexas.
Contratos milionários e o projeto Longtail na Guiana
O primeiro grande destino dessa inovação será o exterior. A planta capixaba foi escolhida para fornecer materiais ao projeto Longtail, operado pela ExxonMobil Guyana Limited no Bloco Stabroek, na Guiana. Além disso, a empresa fechou acordos para o projeto Hammerhead, somando mais de 145 quilômetros de dutos e cerca de 40 mil toneladas métricas de tubos encomendados, dos quais 90 quilômetros receberão o revestimento GDLX.
Apesar do foco internacional na estreia da nova tecnologia, a fábrica de Serra continua fortemente conectada ao pré-sal brasileiro. A unidade presta serviços para importantes iniciativas energéticas da Petrobras, como Atapu 2, Búzios 10 e Sepia 2. No caso de Atapu 2, por exemplo, a estrutura capixaba receberá 143 quilômetros de risers rígidos e flowlines produzidos em Minas Gerais para receber o isolamento térmico.
Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva local
A chegada dessa capacidade produtiva inédita ocorre logo após a compra da Thermotite do Brasil por US$ 17,5 milhões, negócio anunciado em 2024 cujas instalações já operavam dentro do complexo da empresa em solo capixaba. Com a integração, o polo industrial unifica diferentes métodos de proteção anticorrosiva e térmica.
Embora valores de investimento específico e a quantidade exata de novas vagas de emprego não tenham sido detalhados, a implantação movimenta a economia capixaba por meio de capacitação profissional e integração com fornecedores locais. Consolidando sua posição estratégica, o Espírito Santo reforça seu papel central no fornecimento global de infraestrutura avançada para a extração de óleo e gás em condições extremas.
