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Escritório de atingidos de Mariana vai procurar Cleitinho para discutir participação do governo em ação em Londres

Escritório de atingidos de Mariana vai procurar Cleitinho para discutir participação do governo em ação em Londres

O escritório internacional que atua na defesa de vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, deve procurar nos próximos meses o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). O objetivo é discutir uma possível participação do estado na ação contra a mineradora BHP na Justiça inglesa.

A informação é do advogado Elias Souto, colaborador do Pogust Goodhead, banca atualmente responsável pelo caso, e Diretor Institucional da OAB-MG.

“Se ele (Cleitnho) estiver aberto, o escritório deve fazer essa abordagem com eles nos próximos meses, entender também a postura deles, saber quais são as possibilidades jurídicas de, eventualmente, a participação do estado de Minas (na ação inglesa)”, disse Souto, a O Fator, nesta quinta-feira (5), que marca os 11 anos da tragédia.

O advogado conversou com a reportagem durante a 19ª Conferência Mineira da Advocacia, promovida pela seccional estadual da OAB em Poços de Caldas, na Região Sul.

O governo de Minas já foi chamado a integrar a ação na Inglaterra, mas decidiu não participar.

“Atualmente, na ação inglesa não tem muito o que se fazer, a não ser que Cleitinho queira mudar essa postura”, acrescentou.

O Executivo estadual participou do acordo de repactuação firmado no Brasil em 2024. Para Souto, esse acordo pode impedir a entrada de Minas no processo.

“Se o estado de Minas efetivamente também deu quitação, como alguns municípios agora que aderiram à repactuação acabaram por receber valores para dar quitação, ele possivelmente não poderá participar. Mas é uma pauta aberta que a gente pode, sim, explorar”, explicou.

Em fevereiro, a Justiça inglesa determinou que atingidos que receberam indenização no Brasil deixem o processo em Londres.

Quantificação dos danos

O Tribunal Superior de Londres reconheceu em novembro de 2025 a responsabilidade da BHP pelo rompimento. A barragem pertencia à Samarco, controlada pela Vale e pela BHP. Segundo Souto, o processo está agora na segunda fase, de apuração dos danos.

“Nesse momento, são 40 clientes que estão sendo ouvidos. Aliás, estão sendo produzidas provas para a audiência que se inicia em abril do ano que vem”, disse.

O desastre de Mariana deixou 19 mortos, além de danos socioambientais ainda incalculáveis.

O Fator na Conferência Mineira da Advocacia

Entre esta quinta-feira e a sexta-feira, O Fator publicará, em seu site, uma série de matérias relacionadas à Conferência Mineira da Advocacia. O veículo instalou um estúdio no centro de convenções que abriga o evento e fará entrevistas com autoridades do mundo jurídico. As conversas poderão ser vistas na íntegra no YouTube.

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