Um grupo de 21 dirigentes municipais do Partido Novo em Minas Gerais, incluindo seis vereadores em mandato, enviou um manifesto ao presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro, exigindo a reformulação imediata do diretório estadual. Na representação formalizada em outubro, as bases solicitam a transferência da liderança regional para “lideranças independentes”.
Queda expressiva de votos e perda de lideranças
Os signatários atribuem à gestão de Christopher Laguna a responsabilidade pelo forte encolhimento das urnas. O partido viu sua votação para deputado federal no estado desabar de 461.859 sufrágios em 2018 para 71.867 em 2026. Além disso, a cúpula mineira é criticada pela evasão de quadros de destaque, como o governador Mateus Simões, que migrou para o PSD.
De acordo com o texto, a liderança estadual “subordinou as decisões do partido ao projeto de candidatura de Simões ao Palácio Tiradentes”. A carta sustenta que a cúpula negava a iminente filiação de Simões a outra sigla até o último instante, de modo que os filiados municipais “souberam da mudança pela imprensa, sem reunião ou comunicado do diretório”.
A crise de desfiliações se intensificou no primeiro semestre de 2026, resultando na perda de peças-chave para a chapa federal e estadual: Gleidson Azevedo (ex-prefeito de Divinópolis), Rafhael de Paulo (Unaí) e Juninho Sinonô (Sete Lagoas). O grupo também apontou inércia da direção na saída de Luís Eduardo Falcão, prefeito reeleito de Patos de Minas e presidente da AMM, que acabou eleito vice-governador em 2026 ao lado de Cleitinho, pelo Republicanos.
Outro ponto de forte atrito foi a promessa de compor a chapa majoritária de Simões. Embora Romeu Zema tenha chegado a anunciar publicamente que a vaga de vice pertenceria ao Novo, a vaga foi preenchida formalmente por Danilo de Castro, do União Brasil.
Resposta da presidência estadual
Procurado, o atual mandatário do Novo em Minas Gerais, Christopher Laguna, ressaltou que não foi notificado formalmente sobre a manifestação. “Inclusive, essa carta é direcionada ao presidente nacional. Ela não é a mim”, destacou o dirigente.
Laguna também minimizou o alcance do manifesto interno: “Nós temos 300 municípios e temos 20 assinaturas”. Ele enfatizou que o contraditório faz parte da rotina partidária. “Não temos como agradar todo mundo trabalhando”, complementou.
Em sua defesa, o presidente estadual enfatizou que Minas Gerais continua sendo a principal fortaleza do partido, concentrando 30% dos mandatos de todo o país. Como argumentos, apontou a reeleição de Romeu Zema, a superação da cláusula de barreira nacional e a representação atual de 95 vereadores, dois deputados estaduais, sete prefeitos e 11 vice-prefeitos em território mineiro.
Origem dos desgastes e tensões no interior
Os articuladores do abaixo-assinado sustentam que a fragilização do Novo começou ainda nas eleições gerais de 2022. Mesmo com a expressiva votação de Zema, reeleito no primeiro turno com mais de 6 milhões de votos, a legenda não conseguiu conquistar nenhuma cadeira para a Câmara dos Deputados em Minas, em meio ao apoio do Executivo a postulantes de legendas como PP, Solidariedade, Avante e Podemos.
Já no pleito municipal de 2024, a expansão para mais de cem cidades teria ocorrido de forma desordenada. A carta denuncia concentração de verbas em questões burocráticas e contábeis, além da imposição de alianças que contrariavam o diretório local em municípios como Uberaba e Araxá. Em Patrocínio, a falta de respaldo provocou a saída de Gustavo Brasileiro para o Republicanos, onde sagrou-se vitorioso para o Executivo local.
Diante do cenário, os líderes signatários — entre eles os vereadores Wenderson Arlei (Itaúna), Rian Pereira (Nova Era), Paulo Henrique Caixeta (Patos de Minas), João Alfredo Góes (Unaí), Alexandre Souza (Santa Rita do Sapucaí) e Valteir Geraldo (Crucilândia) — exigem mais espaço para o interior no comando, autonomia de diretórios e início imediato do planejamento para os próximos ciclos eleitorais.
